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25 de out. de 2009

SELO CARTÃO VERMELHO


Recebi este selo do Prof. Francisco, autor do Blog Filosofia e Vida, Blog que aliás, diz tudo, tanto no nome, quanto em conteúdo. Não deixem de conferir.

O nome do selo é “Cartão Vermelho”: “Cada um deve fazer uma listinha com 10 escolhidos para dar o cartão vermelho. Pode ser uma pessoa, uma atitude, enfim, tudo aquilo que, de alguma forma, nos incomoda - se quiser e precisar, dê uma justificativa breve. Após fazer isso, passe a bola para mais cinco blogueiros e vamos ver no que dá…”

Eu confesso que demorei a postar no blog este selo, inclusive imagino que o Prof. Francisco pense que não gostei do selo, mas não foi bem isso. Por um motivo básico e único, não fiz o poste antes: eu não conseguia encontrar as dez “coisas”para as quais daria cartão vermelho. Não sei se não conseguia encontrar por serem muitas, ou por nada serem...engraçado não?!

Bem ou mau, depois de muito pensar, e nada concluir, resolvi sortear, rs. As dez “coisas” Ganhadoras do “Cartão Vermelho” foram:

1 - A falta de iniciativa.
2 - A falta de vontade que muitas vezes temos de pensar (em tudo e com relação a tudo), e sabemos lá no fundo que essa “falta de vontade” existe.
3 – A falta de comunicação “inteligente, compreensiva e filosófica”.
4 - A cegueira com relação á existência do outro.
5 - A falta de sentimento.
6 – O desprezo pelas idéias e ideais alheios.
7 – A FALSA construção “virgem” das “coisas”. É necessário ver e discutir também as desconstruções. Muitas “coisas” que existe por ai são na verdade desconstrução de outra.
8 - Para as “autoridades”,que fazem de seus discursos algo que consideram perfeito.
8.1 – Para nós mesmos, que muitas vezes, ainda cegos, aplaudimos.
9 - Para tudo aquilo que chamam de “Moda” e seus “Modismos”.
10 - Para a Vida em pleno Sossego, viver é ser Desassossegado.

Presenteio agora, esses blogs com cartão vermelho, acredito que eles deverão acrescentar muito á nossa percepção:

Blog do Prof.Daniel – Filosofia Cotidiana
Blog do Pedro – Freqüência Perdida
Blog da Lívia – Socier’s
Blog da Kelly – o caderno de escrita
Blog do Tadeu - Varandeando

Paz, luz e harmonia a todos!
não muito de cada de hein! usem apenas a dose correta.

12 de out. de 2009

Eu Pensava...

Pensava que sabia quem era que comigo estava.
Pensava que sabia no íntimo quem eu era.
Pensava que conhecia os motivos pelos quais
A Lua vinha e Sol se ia...
O porquê chovia!

Ah! Eu pensava!

Pensava que sabia os motivos pelos
Quais o cão era amigo do homem.
Pensava que sabia o porquê o gato
Era traiçoeiro ou por que o preto era azarento!
O porquê o soldado, um dia, virava sargento!

Ah! Eu pensava que sabia tanto!

Hoje e somente hoje eu descobri
Que de nada, nada e nada sabia.
Eu na verdade me desconhecia!
E na medida que pensava saber
Quem eras tu, apenas não sabia!

Ah! Maldito pensar que me enganava!

Era enganada por meus pensamentos
Por durante todo o dia!
Não culpo você por não ser o que eu espera.
Culpo a mim e meus pensamentos infantis
Por acreditar que um dia me amavas!

Ah! Eu pensava...

Que eras Zeus, mas vi que nada és!
Prefiro agora não dizer o que penso!
Prefiro não pensar nada!
Prefiro deixar os dias seguir como um rio,
Sempre o mesmo, sempre outro!

Marcia Maria
Primavera Chuvosa de 2009

6 de out. de 2009

Tempestade nos meus pensamentos!

Não deu tempo de falar!
Me veio na cabeça
Antes de ao ar o verbo soltar.

Nem sei, me veio na cabeça
E em letras aqui no papel
Veio parar.

Sem razão alguma
Quis escrever, escrever,
Dedos e caneta a trabalhar!

E então no meio parei.
Quis pensar.
Pensei, analisei...

E quando no ar o verbo soltei
Simplesmente eu não sabia
Mais o que “letrar”!

Luna Alcântara
Lua cheia de primavera 2009

28 de set. de 2009

Mais um nada

Aqui, neste mundo, eu faço filosofia.
No outro, eu não sei o que fazia, ou se fazia.
Ou quem sabe ainda se ele existia.

Se aqui faço filosofia, sou Filósofo.
Afinal, quem aqui faz psicologia é Psicólogo.
Ou quem sabe ainda, já enlouqueceu.

Agora descobri, tudo o que sou.
Louco e incompleto, nada e tudo.
Sou e não sou. Isso é o ideal.

Escrevo insanidades. E nada me completa.
Penso que aqui é parte que devo rir,
Rir do nada!

Angústia, medo, paixão.
Emoção, contemplação, admiração.
O escuro me espanta,
O obscuro, ainda mais.
Oh! Estou agora espantado.

É por isso que escrevo.
Para sair do espanto.
Despencando assim em uma
Iluminada escuridão!

Luna Alcântara
Primavera de 2009

24 de set. de 2009

Eu, Erro, Eros...

Ah! Sim. Eu erro.
Nem sempre acerto.
Não que eu queira
Simplesmente errar.
Estava tentando acertar.

Fui acertada.
Cometeram um erro!
Quero me encontrar
Cara a cara com Eros.
Nem sei o que á ele irei dizer.

Talvez, assim como eu
Ele também errou
Tentando acertar.
E assim, a mim
Simplesmente desconcertou!

Ah! Eros!
Que raios pensa ser tu?
Que raios pensa ser eu!?

O fato é que fui acertada,
Simplesmente fiquei
Desconcertada!

Luna Alcântara
Primavera 2009

20 de set. de 2009

Procuro (não) Encontrar

Sempre gostei de procurar. Em meio as letras, nas cores das figuras, no cheiro do ar, nas gotas da chuva, no azul do céu, no brilho da Lua, nas noites sem luar... no mato em meio aos troncos das árvores, no calor do sol, no arrepio da sombra. Procuro na alma alheia, no corpo do outro, na mente do próximo. Procuro nos animais, nas joaninhas, nas borboletas... Procuro na luz, procuro na escuridão.

Na minha maluca procura tenho um único medo: Encontrar. Eu procuro sempre tudo, desde Eu e minha essência, até o outro e sua essência. Será que são todas iguais? Será que somos todos iguais? Ah! Queria tanto saber. Mas e quando descobrir? O que vou procurar? Continuar...?

Em meio as letras, nas cores das figuras, no cheiro do ar e da chuva, no azul do céu, no brilho da Lua, nas noites sem luar... no mato em meio aos troncos das árvores, no calor do sol, no arrepio da sombra. Procuro na alma alheia, no corpo do outro, na mente do próximo. Procuro nos animais, nas joaninhas, nas borboletas...Procuro na luz, procuro na escuridão.

De fato o encontro pode se tornar extinção. Não terei mais o que fazer. Não terei objetivos a encontrar. Continuarei a viver sem ter a náusea da procura e a angústia por nada achar. Estes sentimentos, medo, náusea, angústia, são meus combustíveis... sem eles nada sou, nada procuro... a graça é não me encontrar, nada achar. Continuar sempre escondida na escuridão das noites sem Luar. Escondida como o sal do mar. Escondida, escondida... sem ninguém me achar.

Escondo-me feito animal em fuga. Continuo a procurar como animal faminto. Tenho medo de encontrar... medo de encontrar o caçador, medo de encontrar-me com a caça...tenho medo de um dia me encontrar...tenho medo de um dia encontrar-me contigo.

Luna Alcântara
Noite sem Luar, inverno de 2009
Com medo de encontrar

15 de set. de 2009

Uns

Uma vida. Um desejo. Uma magia. Uma luz. Um doce. Um azedo. Um pedido. Uma realização. Um prazer. Uma vontade. Uma realidade. Uma Lua. Um Sol. Uma estrela. Um copo de água. Uma jarra de suco. Um vestido. Uma sapatilha. Uma xícara de café. Uma barra de chocolate meio amargo.

Um dia. Uma lição. Uma aura. Um espírito. Um corpo. Um caderno. Um lápis. Um perfume. Uma fruta, morango. Uma revista. Um livro. Uma vontade. Uma (não) repetição.

Um céu. Um escuro. Uma iluminação. Um número. Um carro. Uma cor. Um sabor. Um retrato. Uma figura. Uma angústia. Uma amargura. Uma música. Uma recordação. Uma paixão. Uma (não) realização.

Uma procura. Um (não) encontro. Uma tortura. Uma montanha. Um penhasco. Uma subida. Uma descida. Uma fogueira. Um rio. Um banho. Uma toalha. Uma camisola.

Uma cama. Um travesseiro. Um lençol, branco. Uma floresta. Uma clareira. Um cansaço. Uma fome. Um chá de ervas. Uma flor. Uma filosofia, a minha!

Luna Alcântara
Antes da primavera 2009

10 de set. de 2009

Desconfigurado

Hoje acordei bem cedo. O sol lá fora não era. O tempo era acinzentado, afinal estamos no inverno.

Me sentia com a cabeça pesada. Acho que ela doía mesmo. Um peso se abatia pelas minhas costas. Mas o dia de ontem não existia mais. Foi eliminado. Porém, o hoje ainda existe, talvez não exista o hoje, mas sim o agora. E é exatamente agora que estou me sentindo desconfigurado.
Parece que existe alguma peça que não esta funcionando nos conformes do mundo. Estou tonto, bobo, preocupado. Não sei por onde começo meu (des) concerto.

Tudo o que vejo parece real, mas percebi que não é assim. Toda comoção ao sentir e ouvir é pura manifestação de algo não-meu. Fui configurado de modo errado.

Fui lançado aqui, e só agora depois de décadas passadas, percebi que meu sistema é muito particular para os outros existentes. Meu sistema não é padrão. Meu sistema é por todos utilizados e aflora agora um sistema muito meu. Porém isto não é bem visto pelos sistemas padrões e centrais. Percebo que as redes agora querem me eliminar. Não participo mais da convenção. Estou só.

Preciso usar todo o meu (não) conhecimento para realizar meu (des) concerto. Usarei as formas padrão do agora para me encontrar no (não) mundo.

Vou me desligar e raciocinar um modo de realizar minhas vontades. Fui maquina, e agora que sou não-máquina, não me querem mais. Fui descartado como um lixo velho só por que descobriram eu sou diferente, não padrão. Ou melhor, talvez eu que pense isso ao descobrir que estou fora dos padrões. Estou em pleno desconcerto, desconfigurado. Vou me desligar e quando retornar espero tudo isso que (não) existe tenha se esvaído, passado...

Luna Alcântara
Inverno de 2009

8 de set. de 2009

Externo interno de mim...

A Chuva simplesmente cai lá fora. Hoje me angustio ao esperar pelo calor do Sol. Ontem me angustiava devido ao calor. Escutava o som do Mar, as ondas cochichando com a areia. Escutava apenas seus ruídos, mas não conseguia entender o assunto. Fechei os olhos e o calor consumia meu corpo. Escutava apenas as batidas do meu coração e o sangue a correr pelas veias. Sentia um cheiro forte de ferrugem misturado com cheiro de morangos e cerejas. Enxergava a cor da paixão. Continuei de olhos fechados e pensava então apenas em mim, pensava apenas em meus sentimentos desordenados.

Percebi que em meu devaneio interno, apenas eu, estava atuando. Apenas de mim dependia a vontade alheia. Senti medo. Me tornei mais angustiado que antes. Nessa angustia medonha, desentendida e sentida, é que percebi que sou um ser que vive a procura de coisas não sentidas, de fatos não resolvidos, de seres que não existem, de ações não acionadas.

Pude entender que dentro de mim há um mistério que quero resolver. As coisas que sinto não me levam alugar nenhum. Os fatos resolvidos foram por mim subsumidos e sumidos se encontram. Os seres que existem estão por ai, olhando apenas a si próprios durante todo o espetáculo do tempo. Existem ações durante todo o tempo que me deixam numa rotina que se torna para mim “invivível’.

Sem escolha, abro os olhos, começo enxergar o externo de mim, me vejo em todos e em tudo. Parece que sem mim, nada é. Parece que ao mesmo tempo não sou sem os que fora de mim se encontram.

Vivo agora em um eterno girar...tonto estou...bagunçado internamente, pois ao meu ver, ai fora tudo está parado e completamente arrumado. Sou um caos no mundo.
E agora simplesmente chove lá fora. Mas dentro de mim esta tudo seco.

Luna Alcântara
Tempo escuro e chuvoso
inverno de 2009

4 de set. de 2009

A (não) Terapia...

Acordei e a angústia já me devorava.
A Chuva já molhava, não ontem, todas as coisas daqui.
E angustiada me coloquei a pensar e quão seria
Bom alcançar todos os desejos! Ah!
Mas quais são estes desejos?
Inefáveis, não consigo dizer!
Estou bobo, preciso de uma terapia.

Terapia! Será que me ajudaria?
Alguém apenas para me ouvir,
Mas não realizar meus desejos internos.
Alguém apenas para me suportar.
E doce palavras falar:

- O Terapeuta - Tenha fé doce criatura!
- O Eu - não consigo!


A (não) terapia não se realizou.
Continuo com minhas angústias.
Continuo com minhas dúvidas.
Ser ou não ser, sermelhor...

Prefiro a (não) terapia:
- Eu - como posso realizar minhas vontades?
- Terapeuta - Temperança sempre!
- Eu – mas o que é temperança?
- Terapeuta – Algo como paciência!

Vou embora e na (não) terapia
Vou (não) voltar...
Ela esta me confundindo
Ao deixar tudo muito óbvio.
Ela está me deixando maluca,
Por me fazer entender o que
Comigo está á acontecer.

Não quero nada entender
A Angústia me leva adiante
Por ela tenho um não-hoje.
Antes de ontem ou amanhã?
Isso vou descobrir agora!
Devo a ela meu momento de agora.
Dúvidas!
( não) terapia sempre!

Luna Alcântara
Manhã chuvosa de inverno 2009

31 de ago. de 2009

Espaço

Hoje acordei perdida no espaço.
Tentei, em vão, me encontrar
E encontrar o seu significado.
Dentro de mim não achei.
Fora e mais além, não encontrei.
E o que é espaço?
Se estou longe, digo que é a distancia.
Mas e quando estou perto e
Sinto ao mesmo tempo o longe, o não perto.
Resolvi pensar então que
Não há espaço físico, mas sim mental.


Seria o espaço algo sobrenatural?
O que seria de fato tal coisa?
Abstrata talvez, um algo não-concreto!
Mas, o que hoje em nosso ser não é?
Até o tempo se faz complicado a cada um!
Meu tempo me faz perder-me...


Perco-me em pensamentos impossíveis
Nada plausível de possibilidades idôneas.
Sinto medo no tempo do meu ser!
Sinto medo no espaço que ocupa meu pensar.
Tenho começado a me perder.
Tenho medo de ser encontrada
Tenho medo de ser notada
Onde não posso ocupar espaço.
Não quero ocupar mais o espaço de mim
Não posso mais tentar encurtar o espaço
E te trazer para junto de mim!

Luna Alcântara
Inverno de 2009

27 de ago. de 2009

E depois da aula de Dialética...

Chequei em casa e esperei o fenômeno lunar que iria acontecer, um amigo tinha me contado horas antes sobre o que iria suceder. Uma estrela estaria próxima da Lua...
Enfim eu não vi o fenômeno que ao certo não deixou de acontecer.

Fui me deitar normalmente. Não estava sentindo nada de especial. Tudo a minha volta parecia comum, ou seja, parecia o que era. A noite virou a não-noite. Me despertei junto com o sol. Estava frio e aos poucos não-frio estava mais.

Ao abrir os olhos mirei a janela e a primeira coisa que vi foi a cortina. Sua cor era a mistura de todas as outras não-cores (branco), com detalhes de não-laranja e amarelo (vermelho). Dentro do meu quarto estava o meu guarda-roupas não-árvore. Na porta de madeira não-arvore havia um penduricalho de tecido em formato de flor não-algodão entrelaçado por uma linha não-diaminas+ácidos dicarboxílicos (nylon).

Balancei a cabeça feito um cão perdido. Sou o não-ser de ontem. Por Zeus! Como vou agora pensar. Estou atormentada por todas estas coisas que deixaram de ser não-coisas para se contradizer e acontecer em novas coisas. Ou sei lá se realmente tudo é assim. Quando tudo me parece tão obvio, começo a pensar em coisas e de repente não-penso.

Pode estar tudo errado, mas só com o tempo deixando de ser é que vou tudo tentar desvendar ou não-desvendar.

Luna Alcântara
Manhã de inverno de 2009.

20 de ago. de 2009

Vontades desnecessárias que me fazem pensar...

Hoje uma vontade de escrever me arrebatou. Não sou de postar diversas vezes. Acho que talvez este seja um mês inédito (espero que não seja), talvez bata meu próprio recorde de postagem em um só mês. Bom, não quero ir ao Guinness. Sei lá!

O engraçado é que eu não tenho nada, nadinha para dizer. O que me impressiona é que mesmo nada tendo para falar, consigo frases formar. Frases deficientes alguém pode até achar, mas eu não acho não, pelo menos agora não.

Queria falar de mim, dos limites do meu mundo, dos outros, das outras coisas... do quem atrás do arco-íris, o que se esconde atrás das montanhas, cadê as fadas e os duendes... Essa noite não vi a bruxinha passando na frente da Lua. Onde ela foi? Queria poder contar para você! Aliás eu queria era saber!

Queria saber cadê os monstros que dormem atrás do guarda roupas, o que fazem de dia as lagartixas, onde andam as joaninhas... Cadê o saci perere, a cuca... as coisas mais bobas eu queria descobrir. Cadê o juízo dos que não tem, ou eles têm e são diferentes do nosso? E agora a melhor de todas, aonde se esconde a luz da geladeira quando abrimos? Por Zeus, creio que não estou no meu juízo perfeito. E eu também não creio que seja falta do que fazer. Por que quando estou no auge dos meus afazeres, tenho que parar e digitar, contar, escrever... Se não nada, nadinha consigo fazer. Queria saber cada coisa em seu detalhe. Inclusive a coisa eu. E é claro que aqui eu não disse nada do que eu queria saber. Aqui eu diria ser uma “tabua rasa”, “papel em branco”, mesmo com tanta coisa escrita. Eu Hein!

Luna Alcântara
Noite chuvosa do inverno de 2009

Encontrar

Dentro da profundidade
De mim estou tentando encontrar.
Procuro o que não foi
Em mim colocado
Quero encontrar
O que me foi herdado.

Sei que herdei “coisas”.
Coisas estas que desconheço.
Desconheço o profundo do meu eu.
Desconheço minhas facetas.
Não queira saber como
Sei que algo foi por mim herdado.

Vôo a procurar...
Rastejo para encontrar.
Mergulho em sentimentos
Procuro em meio a matéria.
No seio da Terra
Não consigo encontrar
Esta “coisa” tão séria.

Continuo na busca.
Uso magia, poderes invisíveis
Para encontrar.
Filosofo, penso em tudo o que posso
Para encontrar.
Fico no mundo da Lua
Para encontrar.

Quero encontrar o que
É pertencente a mim.
Minha intuição me diz:
- Quando encontrar,
Nova “coisa” terá que buscar!
Tenho que continuar a tentar
Encontrar.

Luna Alcântara
Inverno de 2009

18 de ago. de 2009

Meteoros

Sempre me coloquei na posição de micro-cosmos. Se for tudo junto ou separado, não é que o me interessa neste exato momento, que como o próprio nome diz “momento’. O que me interessa é saber se sou um micro ou macro-cosmos.

Há poucos dias atrás tivemos uma chuva de meteoros, se me recordo bem foi no dia 12 de agosto deste mesmo ano. Ao meu entender esta aconteceu no macro cosmos, talvez afetando o micro cosmos.

Mas nestes dias, senti, dentro de mim, ou sei lá, algo estranho, de estranheza sem igual. Senti diretamente em meus pensares coisas nunca sentida antes. De fato penso que esta chuva me afetou diretamente, por isso penso que sou um macro cosmos de mim mesmo, não sei ao certo.

Agora não quero mais saber das coisas ao certo. Talvez seja uma extinção eu saber de tudo. Viver na duvida talvez seja continuar persistindo na busca pelo que de fato é verdadeiro ou não.

Quero somente saber: sou macro ou micro? Eu sou algo afinal? Será que sou o meteoro de minha própria vida, de meus próprios sentimentos?

Luna Alcântara
Inverno de 2009

17 de ago. de 2009

Estrelas

Hoje me levantei pela manhã quando avistei a luz do sol que entrava pela fresta da janela arqueada. Olhei o céu azul, azul, tão azul que se confundia com o azul do mar. As poucas nuvens que flutuavam eu poderia muito bem dizer que eram ondas esbranquiçadas que vinham do horizonte em direção á areia.

Me coloquei a pensar. E então me lembrei da noite passada, que sem luar, eu podia ver as estrelas a brilhar. Veio-me no pensamento, um sentimento inefável, um devaneio incomensurável. Comparei o céu com o mar, onde as estrelas se colocam a brilhar. No céu e assim como no mar. No céu, em noites de Lua, prateado está e as estrelas, lá estão a brilhar.. No mar, em noites de Lua, prateado também ficará, e no fundo as estrelas do mar, também iluminadas ficarão. E então, aqui onde estou, no meio, na terra, sei lá, o que brilhará?

De fato não conseguia imaginar... Mas precisava conseguir, nem que fosse uma única estrela que eu pudesse fazer brilhar. Tinha a impressão que meu dia só se iniciaria, quando eu alcançasse tal objetivo.

E foi neste instante, que passa tão rápido, que em meu pensar brilhou uma estrela. Quem disse que eu não posso ser a estrela da terra? Quem foi que disse que não somos estrelas terrenas a brilhar? Fiquei atônica quando isso pude devanear. Fiquei com a sensação de poder até mesmo voar, iluminar onde eu penso em trevas estar.

Agora sou ainda mais feliz que ontem, estrelas brilham no céu, coadjuvantes no meio do luar... No mar, estrelas iluminam o escuro para os peixes desfilar... Na terra somos estrelas para tudo fazermos iluminar, importante será o meu brilhar juntamente com seu brilhar. E assim a tudo vamos iluminar!

Luna Alcântara
manhã de inverno 2009

14 de ago. de 2009

Agora, sou grande e nada Sou

Desde o passado, mais precisamente ontem, decidi não mais me apequenar frete a coisa alguma. Decidi que quero ser grande e nada ser. Não mais serei menor e nada serei. Agora e neste instante, que não sei quanto tempo dura, vou ser maior e nada vou ser. Sou, agora, maior frente as minhas dificuldades e diferenças com relação aos outros que são. Não sou, na medida que não entendo muitas outras coisas.

Deixarei minha “pequinês” de lado frente aos que nada são. Achando tudo complicado? A mim não parece ser assim. Pois somos diferentes quando pensamos, e nada somos ao certo. O que sei, com precisão, é que me apequenava frente aos monstros que me assombravam.

- Acorde, pequenina menina! Monstros não existem, não são! Pare de se apavorar com coisas que nada são!

Essas palavras ecoavam a tempos dentro de mim, mas meus ouvidos, orgulhosos, não queriam nem ao menos saber o que era o som murmurado. Foi quando eu, sendo o que sou agora, escutei o murmurar e lhe dei certa atenção. Me coloquei a pensar e vi, dentro de mim, algo que não tinha percebido. Trocando em miúdos, fazendo-me por ser entendida, ai vai:

Pense no morango! Belo e repleto de “eus” (sementes) tão minúsculos e que nada são. E quando num futuro muito breve, suas sementes, tão pequenas, tudo passa a ser. Passa a ser o fruto doce-amargo, vermelho, repleto de sementes ("eus") imperceptíveis que frutos breve serão e também, logo deixarão de ser.

Nossa! Como meus devaneios se complicam com o passar do tempo. Monstros aparecem e deixam de ser; eu, grande, nada sou...

È hora de mudar!
Chega!
Deixo de me apequenar

Diante de todas as coisas...
Sou um gigante...
Nada sou...

Luna Alcântara
inverno de 2009

13 de ago. de 2009

Escapatória...

Aprendi como escapar
Da vida de agora.
Aprendi como escapar
Da realidade.
Aprendi como escapar
Dos meus sentires.
Aprendi como escapar
De mim mesmo.
Aprendi como escapar
De coisas a parte de mim.
Aprendi escapar
Dos fatos concretos...
Vivo agora no abstrato.
Mas tudo passa tão rápido
Que na brisa vento posso sentir-te.
Não aprendi como escapar
De devanear a respeito de ti.
O tempo passa, mas logo outro
Instante vem e não consigo
Escapar de você!
Agora por mais que aprendi
Estou sem escapatória
Meu pensamento esta
Amarrado em ti!


Luna Alcântara (Marcinha Luna)
Inverno de 2009, tempo de crescer.

11 de ago. de 2009

Lugar

Quem disse que só por que chove não há passarinhos a cantar!?
Pode-se cantar a qualquer hora e em qualquer lugar...
Quem disse que só por que somos grandes não podemos brincar?!
Eu brinco a qualquer hora e nem esquento com o lugar!
Quem foi que disse que se a Lua no céu não está a brilhar é por que não há luar!?
A Lua brilha sempre, mesmo quando lá ela não está!
Quem foi que disse que lá é longe e não dá pra chegar?!
Podemos chegar sempre em qualquer lugar!
Já disseram para ti que você é o lugar!?
Lugar de ver e fazer acontecer...
Lugar onde os nomes escolheram para ficar...
Lugar onde as coisas são e deixam de ser...lugar onde você está ou não.
Eu estou no meu lugar, assim como você, que amo, também esta!
Resta apenas saber como faço para você entender
Que ocupas dentro de mim um lugar...
Resta apenas saber como faço para contar
Que sem ti não sei ficar...
Resta saber como faço para dizer
O quanto você é especial...
Resta apenas saber como faço para contar
Que no meu sonho consegui te beijar...
Resta saber como faço para contar
Que a ti eu quero amar...
E todos estes saberes
Dentro de mim não consigo encontrar
Onde está!
Me perdi por completo
Quando dentro de mim
Encontrei o seu lugar!
E agora na chuva ouço passarinhos a cantar!

Marcinha Luna
Manhã chuvosa de inverno 2009

8 de ago. de 2009

Hoje

Hoje me encontro
Melhor que ontem...
Ontem estava caído e sem direção.
Hoje me encontro
Melhor que ontem...
Antes de ontem simplesmente
Estava abatido e caído no chão
Jogado como algo que não merece nada.
Hoje me encontro melhor que ontem...
Mas eu pensava que ontem eu estava bem,
E tudo era uma vida de maravilhas.
Que engano o meu!!!
Hoje me encontro melhor que ontem
Melhor que antes de ontem...
Melhor ainda me encontro, se olhar
Atento o mês que se passou,
Que passou...
Assumi no passado
Algo falso, não cabível de minha
Fantástica realidade...
Confundi e confundi
a quem comigo estava.
Hoje não... me encontro na
Realidade total da vida deste mundo,
Mundo este em que estou e estou.
Hoje me encontro melhor que ontem,
Melhor que mês passado também, ora se não!
Acredito agora estar na realidade.
Ah! O estranho fato é que no futuro
Me vejo ainda cair!
E posso dizer que agora
Eu já não sei quem sou,
Como estou, por onde vou...

Marcinha luna
noite de inverno 2009