4 de jan de 2013

Uma carta...



Caro,  Amor.

Tentei te escrever anos atrás, quando você ainda era eu, mas não consegui. Tentei relatar, no papel, tantas coisas, mas fui omissa e não consegui. Talvez, eu tenha sido mesmo, covarde. Nunca me arrependi de sentirmos os mesmo aromas -  as rosas tinham o mesmo perfume, tanto para mim como para você. Os sabores -  os mesmos  para mim e para você. E eu sentia, sim, que havia certa reciprocidade, mas eu acho que não deixei me levar o suficiente. E hoje, o rio que nos leva, é outro, tanto para mim quanto para você.
Vivíamos em tão profunda troca de olhares, que o que eu observava você, simplesmente,  comentava. Éramos tão juntos, mas vivíamos, também, separados.
Nunca descobrimos a cor do que acontecia. Estávamos a todo o momento tentando descobrir o que acontecia e quem éramos de verdade. Nunca descobrimos. Jamais descobriremos. Hoje acredito que não havia cor, mas sim, transparência.
Nunca me deixei levar pelo sentimento, sempre tive como compania a razão, talvez por isso em minha vida, as recordações são  tesouros, muitos deles nunca revelados a ninguém. Deixei de lado o coração, nunca deveria ter feito isso. Sei que não terei nova oportunidade com você, mas se acontecer algo parecido, o que seria impossível, não deixarei ela ultrapassar meu corpo sem desfruta-la. Não Prometo!
Promessas! De vida eterna, de amor eterno, de amizade sincera. Me prometeste todas.  Mas, não cumpriu. Deixei de acreditar no sonho, na realidade, na vida como um todo. E tudo acabou antes de começar. Hoje acredito que não deixei você cumpri-las.
Tornei-me uma pessoa dura, amarga e não acredito mais em nada. Nada! E é por isso que sei que o nada existe.
Ofertei a ti tudo o que eu tinha, a sinceridade que pude. Esperei demais. Esperei o que não podia me dar. Nem mesmo o nada você pode ofertar.
Me desiludi, e não sei como, ainda espero, sinceridade. Devo estar louca, colocar tudo isso na forma de letras, um crime talvez. Na verdade, não espero punição. Quero, apenas aliviar um tormento, que invade a minha vida. Livrar-me da angústia que me leva, infelizmente, não sei para onde. Quero me desfazer de todas estas possibilidades que podem vir a ocorrer. Sim quero me desfazer. Quero que venha às infinitas possibilidades, das finitas não quero mais saber. Me desculpe os erros, todos os erros.
O amor, que encontrei no seu corpo, era finito e eu preciso do infinito para viver.

Antes sua, mas agora, nunca mais.
Eu.

Verão 2012, mas antes não era.

Márcia Alcântara.

Lançamento Antologia Sopa de Letras - Márcia Alcântara (coautora)

SOPA DE LETRAS - CONTOS E CRÔNICAS DE TEMÁTICA LIVRE
SINOPSE: Uma das melhores coisas da vida é saborear uma reconfortante sopa caseira, preparada com carinho por nossa mãe ou pela avó-coruja. E se for de letrinhas, melhor! Ganhamos em diversão nas inúmeras tentativas de formar palavras e buscar significados. Uma brincadeira que nos liga à leitura e à escrita, que indiretamente nos remete à tecelagem de frases, sentidos, textos e, quem sabe, histórias. Letras traduzem sentimentos, revelam sensações, defendem ideias, mexem com a imaginação do leitor. Cativam e conquistam. Têm poder. Nesta antologia, elas contam as mais diferentes histórias, letras escritas por vários autores com total liberdade para escolher a própria temática. Contos e crônicas reunidos numa ampla e intrigante sopa de letrinhas.

ORGANIZAÇÃO: Helena Gomes


O lançamento e sessão de autogáfos acontecerá na 2ª edição do evento LIVROS EM PAUTA.  Criado pelo escritor Edson Rossatto com o intuito de promover o encontro de escritores, editores, críticos literários e demais profissionais do livro com leitores e escritores amadores, para discussões sérias e também para bate-papos descontraídos por intermédio de atividades gratuitas, como mesas-redondas, palestras, sessões de autógrafos e lançamentos de livros. 

 Maiores informações em http://www.livrosempauta.com/p/programacao.html