14 de fev de 2011

Sabedoria seca



Oras, a cada dia que passa aprendo com as horas e suas divisões... Não sabia de muita coisa que agora, quando contato tive, desconheci ainda mais.


Agora sei e sinto que só sabemos e podemos entender as coisas, quando estamos em contato com elas. Só podemos falar do que vimos e do que sentimos na pele, e muitas, mesmo vendo e sentindo é complicado dizer. As palavras nada dizem, as palavras nada explicam. Sentir é tudo, observar e vivenciar é o máximo. Como explicar um abraço e um afago, um carinho e uma relação de amor?


Ah não! Isso não é explicável!


É como dizer que uma flor nasce em solo arenoso, em solo seco e debaixo de muito sol, pois ali, onde a vi, toda aguá, qualquer lágrima secará! Mas, sim ela nasce! Eu vi, mas por muitas vezes quando me disseram eu não acreditei. Tentar explicar? Não conseguiram e eu não sei se posso. Quem sabe ela nasça para ver a beleza do luar... quem sabe ela nasça para nos fazer ver as possibilidades da vida... Quem sabe ela exista porque necessita aqui estar, por si só? Quem sabe ela veio para alegrar o que triste está! Quem sabe ela veio para valorizar ou para se valorizar e mostra sua força...

Olhando para a Lua, que no céu crescia e sorria, despontando numa beleza indivisível lá estava, ela, a flor, linda, branca, forte, serena, solitária, harmônica e com ar de felicidade, mesmo só, mesmo seca...


Não sei, sei que ela eu vi e sei que não entendi, tanta beleza numa enxurrada seca...


Márcia Alcântara
Pós-viagem ao sertão, verão de 2011