25 de jun. de 2009

Outrora...

Outrora vivia me lamentando.
Estava cansado, triste, jogado.
É eu realmente fui jogado aqui
Sem encontrar muita finalidade
Para meu estado de estar aqui.
Quanto mais passa o tal tempo
Mais aprendo, mas um aprendizado
Muito estranho.
Não chego a finalidade de nada.
Quem sabe isso seja bom.
De fato ainda não sei.
Estava enfadado e cheio de dúvidas.
Ainda estou. Não enfadado.
Mas cheio de dúvidas.
Com relação a tudo quanto há.
E se não há também tenho.
Eu procuro seriamente uma verdade.
Mas são palavras da boca para fora.
Na verdade eu não esforço muito.
Mas sei que quando me esforço
Consigo mais coisas, mais verdades
Que traz junto com elas incertezas.
Outrora eu andava jogado...
Agora ainda estou.
Outrora sentia-me incerto...
Agora continuo sem certezas de nada.
Outrora as duvidas me dominavam...
Agora ainda me dominam.
Outrora eu estava vivo, e cansado dessa condição...
Agora continuo vivo, mas procuro
Uma resposta que responda as minhas dúvidas
De outrora que continua agora.
Perceba que muitas respostas não trazem
Respostas, mas sim muitas das vezes trazem um
Novo questionamento.
E o outrora continua refletindo agora.

Marcinha Luna
Inverno de 2009

18 de jun. de 2009

Para encerrar o semestre...

Para encerrar o semestre descobri que há dois de mim vagando por ai. Perigoso? Não sei. E que bom que não sei isso é sinal de continuo procurando saber o quão perigoso isso pode ser.

Um dos meus que vaga por ai é inautêntico. Compreendido, bonito, repleto de pontos de exclamações e pontos finais. Tem uma vida ética, leva a risca tudo politicamente correto. Nunca expõe suas lágrimas. Não possui um lugar, apenas se encontra em um ambiente ali e outro aqui. Escreve textos tecnicamente corretos, ou ao menos deveriam ser, sempre falta uma vírgula ou um acento ou sobra um ponto final, fazendo desta maneira com que falte sempre meio ponto. rsrs Ah! este ser autêntico, ainda dou risadas com ele. Aliás, este semestre para o ser inautêntico foi repleto de bolas na trave. Mas isso é apenas um incentivo para continuar buscando o caminho do gol e não dar a partida por encerrada, pelo menos é o que disseram e minha parte inautêntica acatou.

Porém existe também o lado autêntico de ser. Não compreendido. Que nada acata. Chora. E ao modo de ver dos inautênticos se passa por esquisito, meio gago. O seu ponto preferido é o de interrogação, muitas vezes também lança reticências, mas na essência, bem lá no finito do ponto se esconde a interrogação. Leva uma vida ética, ele faz sua ética, ela é sua morada. O seu modo de escrever surpreende pelo fato errado de ser, surpreende pelo que diz a respeito da verdade. Usa a verdade a larga. Sem medir. Se pergunta o porque da igualdade de todos. Não se esconde. Chora e esbraveja. Mas acaba sendo escondido. Triste? Claro que não.
É aqui que meu ser goza, é este modo autêntico de ser que me encontro em completa felicidade. O recheio da felicidade? A angustia, o tempero que leva este meu ser adiante.

Então fecho este semestre com chave de ouro. O ouro que encontrei? O meu ser autêntico. Estou apaixonada por ele. Toda vez que o encontro sua angustia me faz gozar. Querer a vida completamente diferente de como ela é. Pouco importa a linguagem, o que importa é a serenidade. Como o encontrei? Com ajuda de meu ser inautêntico, que me leva espacialmente pelos cantos materiais do mundo onde minha parte autêntica não chega.
Enquanto eu viver preciso dos dois. Perigoso? Já disse que não sei.

Marcinha Luna
Inverno de 2009

11 de jun. de 2009

Descoberta!

Acabo de tirar o Véu!
Acabo de descobrir, aqui quero viver!
Em meio as letras, em meios aos livros.
Me encontrando em cada frase
Sentido cada texto.
É assim que quero fazer!
Escrever, descrever, viver!
Escrever como me sinto, o que sinto.
Sem olhar a ética alheia. Escrever a minha ética.
Escrever poeticamente, sem me prender a nada!
Quero ser livre!
Quero descrever o Céu, a Lua!
Ah! Luar, que ilumina o azul profundo do Céu!
Quero descrever você. Descrever como és!
Descrever como és no meu ponto de vista!
Descrever como tu és dentro da minha ética!
Acabo de descobrir, aqui quero viver!
Viver livre e poeticamente!
Não quero com nada me comprometer.
Não quero de nada me esconder.
Não quero nada esconder!
Quero reconhecer! Quero gozar!
Quero aqui viver intensamente!
As letras é o meu mundo!
Um mundo aberto, eterno!
Aqui é o mundo!
Um mundo onde posso fazer tudo!
Ah! Que tudo maravilhoso!
Que tudo inefável!
Que tudo incomensurável!
Quero me expressar!
Quero mostrar quem realmente sou.
E sei que sou! Sou eu!
Sou feliz aqui!
Deliro a cada espaço!
Rodo olhando para o Céu!
Não sou louco não! Aqui sou eu e feliz!
Este meu mundo gira.
Meu coração palpita muito mais!
Ah! Os cheiros e as cores!
Tudo colorido quando quero!
Tudo perfumado pelas flores quando eu desejar!
Ah! Aqui é meu mundo!
Tudo preto e branco quando eu preferir!
Tudo “outonisado” quando eu preferir!
QUERO GRITAR QUANDO EU NECESSITAR!
Me silenciar quando eu precisar!
Descobri é aqui que quero viver!
Sair quando achar que devo!
Fazer o que eu quero!
Rolar pelos campos
Gozando de alegria!
Bater os pés com força
Quando estiver tomada pela raiva!
Quero me tomar pela raiva sim!
E por que não! Se posso senti-la.
Por que esconde-la!
É aqui que quero viver!
Me eternizar, tudo realizar!
Acabo de descobrir, aqui quero viver!
Quero dançar a dança das borboletas!
Ler um novo texto,um texto poético!
Sentir o cheiro da chuva,um cheiro adocicado!
Chorar sem dar explicações, chorar lágrimas verdadeiras!
Acabo de descobrir, aqui quero viver!

Marcinha Luna
Outono de 2009

10 de jun. de 2009

Autêntico

Exatos sete dias se passaram
De quando me dei ao luxo de ser autêntico!
Não sei se pagarei no futuro por esta decisão.
Também não me importa neste momento saber disso!
De fato experimentei a autenticidade.
Fiz o que pensei e usei minha ética.
Perfeito!
Ao mesmo tempo
Doloroso!
O sentimento?
Indescritível!
Perfurado?
Não, eu não senti nada!
O que sinto agora?
Arrependimento!
De ter sido autentico?
Não, de ter durado apenas
Alguns míseros minutos!
E agora?
Não sei, mas entendo que o Luxo se foi.
Como me sinto agora?
Novamente um Inautêntico.

Marcinha Luna
Outono de 2009
Manhã Chuvosa

21 de mai. de 2009

Inautêntico

Confesso que esta noite não dormi.
A noite passada me foi serena.
Repleta da surpresas
Das quais apenas posso dizer,
E colocar no vento a palavra “inefável”.
Sim, eu a ouvi ontem.
Mas não consegui compreender o 
por que meus olhos se recusavam a fechar.
Meu ser foi então perfurado.
Em um momento pensei que tivesse
Sido consumido... Mas não fui,
O dia raiou, e aqui estou.
Então não fui contemplado
Com a morte. Ainda vivo!
E este não era o desejo.
Gostaria que tivesse sido
Consumido, consumido.
Não quero passar por coisas
Das quais estou passando!
Talvez eu precise de alguém
Que me console.
Aliás, penso que isso
Na verdade é uma quase certeza.
Preciso urgente me encontrar
Com um ser, uma alma, Boécio.
Ele sabe quem pode me consolar
Uma vez me parece que nunca,
Serei e nem poderei ser consumido.
Não posso neste mundo maldito
Ser contemplado, desdobrado em
Minha totalidade. Qual o meu castigo?
Viver para sempre como um ser
Inautêntico!

Marcinha Luna
Outono de 2009

15 de mai. de 2009

Jogo poesia...

E agora, o que faço eu?

Amo-te, mas tu não me entendes.

Quero amar-te, mas minha linguagem,

Você não entende.

Estou só. Eu e minha linguagem

Única, poética, romântica!

E agora, o que faço eu?

Sozinha, a falar com o vento, com a chuva.

Sei me comunicar, mas não sei jogar.

Jogar o seu jogo esta complicado.

Assim como você também não

Sabes jogar o meu jogo!

Maldita Linguagem!

Eu e você sempre tão juntos

Mas ao mesmo tempo, distantes!

Estamos jogando jogos diferentes

Gostaria que você jogasse o meu jogo.

Mas eu não estou disposta a saber as

Regras do seu jogo!

E agora, o que faço eu?

Decidi que vou jogar só,

Vou jogar o meu jogo.

Vou só.

Sei que meus sentimentos a mim entendem!

Eu vejo as cores e sei que brilham.

Você enxerga tudo em preto e branco.

És cego! Não entende nem mesmo o jogo que jogas!

E agora, o que faço eu?

Vou ouvir minha musica,

Voar pelo ar que a mim pertence.

Não quero rivais para jogar.

Quero ficar aqui, só.

Poética e romântica.

Vivendo na fantasia

A minha forma de vida!

É agora, eu decidi, assim faço eu!

Marcinha Luna

Tarde chuvosa de outono 2009

7 de mai. de 2009

Cadê Você...Morreu ou nunca existiu?

Ainda não compreendi muitas coisas.

E pretendo sim compreendê-las

Sei que o meu ser deve ser aberto

Mas ao ouvir uma musica

Meu ser aberto foi ainda perfurado

E ainda não conseguiu ser recuperado.

Continua dilacerado, sem entender o porquê das coisas.

Quando pequeno fui instruído

A acreditar em algo que não via

E hoje depois de crescido

Meu ser não conseguiu ainda ver

E o pior é que agora, também depois de crescido

Não esta mais conseguindo

Nem mesmo crer.

E agora? Como devo agir?

Chorar, esbravejar pedir para Te ver?

Continuar a crer em Você?

Não, eu não posso compartilhar a dor alheia,

Acreditando que Você possa existir.

E não esta sendo fácil para mim

Conversar agora com Você,

Sem ao menos acreditar que o som

De meu pensamento estas ouvindo,

Sem ao menos saber se Você vê

Que agora me encontro

Com lagrimas nos olhos.

Chorando neste momento uma dor que não é minha.

Chorando neste momento também a minha dor!

Marcinha Luna

Outono de 2009

Chuva no Norte e Nordeste