5 de jan. de 2013

Do Alfabeto

Lamento que o alfabeto
Não possua cores.
Para expressar
O colorido do sentimento,
E as cores dos amores.

Lamento que o alfabeto
Não possua aromas.
Para exalar
O perfume que
Vem das flores.

Lamento que o alfabeto
Não possua magia.
Para transformar
Meus escritos
Em pura Alegria.

Lamento que alfabeto
Não possua sabor.
Para os escritos de amor
Passar á você
Todo o meu calor.

É puro lamento
Que a razão sempre
Invada os sentimentos.

Márcia Alcântara
Verão 2013

4 de jan. de 2013

Uma carta...



Caro,  Amor.

Tentei te escrever anos atrás, quando você ainda era eu, mas não consegui. Tentei relatar, no papel, tantas coisas, mas fui omissa e não consegui. Talvez, eu tenha sido mesmo, covarde. Nunca me arrependi de sentirmos os mesmo aromas -  as rosas tinham o mesmo perfume, tanto para mim como para você. Os sabores -  os mesmos  para mim e para você. E eu sentia, sim, que havia certa reciprocidade, mas eu acho que não deixei me levar o suficiente. E hoje, o rio que nos leva, é outro, tanto para mim quanto para você.
Vivíamos em tão profunda troca de olhares, que o que eu observava você, simplesmente,  comentava. Éramos tão juntos, mas vivíamos, também, separados.
Nunca descobrimos a cor do que acontecia. Estávamos a todo o momento tentando descobrir o que acontecia e quem éramos de verdade. Nunca descobrimos. Jamais descobriremos. Hoje acredito que não havia cor, mas sim, transparência.
Nunca me deixei levar pelo sentimento, sempre tive como compania a razão, talvez por isso em minha vida, as recordações são  tesouros, muitos deles nunca revelados a ninguém. Deixei de lado o coração, nunca deveria ter feito isso. Sei que não terei nova oportunidade com você, mas se acontecer algo parecido, o que seria impossível, não deixarei ela ultrapassar meu corpo sem desfruta-la. Não Prometo!
Promessas! De vida eterna, de amor eterno, de amizade sincera. Me prometeste todas.  Mas, não cumpriu. Deixei de acreditar no sonho, na realidade, na vida como um todo. E tudo acabou antes de começar. Hoje acredito que não deixei você cumpri-las.
Tornei-me uma pessoa dura, amarga e não acredito mais em nada. Nada! E é por isso que sei que o nada existe.
Ofertei a ti tudo o que eu tinha, a sinceridade que pude. Esperei demais. Esperei o que não podia me dar. Nem mesmo o nada você pode ofertar.
Me desiludi, e não sei como, ainda espero, sinceridade. Devo estar louca, colocar tudo isso na forma de letras, um crime talvez. Na verdade, não espero punição. Quero, apenas aliviar um tormento, que invade a minha vida. Livrar-me da angústia que me leva, infelizmente, não sei para onde. Quero me desfazer de todas estas possibilidades que podem vir a ocorrer. Sim quero me desfazer. Quero que venha às infinitas possibilidades, das finitas não quero mais saber. Me desculpe os erros, todos os erros.
O amor, que encontrei no seu corpo, era finito e eu preciso do infinito para viver.

Antes sua, mas agora, nunca mais.
Eu.

Verão 2012, mas antes não era.

Márcia Alcântara.

Lançamento Antologia Sopa de Letras - Márcia Alcântara (coautora)

SOPA DE LETRAS - CONTOS E CRÔNICAS DE TEMÁTICA LIVRE
SINOPSE: Uma das melhores coisas da vida é saborear uma reconfortante sopa caseira, preparada com carinho por nossa mãe ou pela avó-coruja. E se for de letrinhas, melhor! Ganhamos em diversão nas inúmeras tentativas de formar palavras e buscar significados. Uma brincadeira que nos liga à leitura e à escrita, que indiretamente nos remete à tecelagem de frases, sentidos, textos e, quem sabe, histórias. Letras traduzem sentimentos, revelam sensações, defendem ideias, mexem com a imaginação do leitor. Cativam e conquistam. Têm poder. Nesta antologia, elas contam as mais diferentes histórias, letras escritas por vários autores com total liberdade para escolher a própria temática. Contos e crônicas reunidos numa ampla e intrigante sopa de letrinhas.

ORGANIZAÇÃO: Helena Gomes


O lançamento e sessão de autogáfos acontecerá na 2ª edição do evento LIVROS EM PAUTA.  Criado pelo escritor Edson Rossatto com o intuito de promover o encontro de escritores, editores, críticos literários e demais profissionais do livro com leitores e escritores amadores, para discussões sérias e também para bate-papos descontraídos por intermédio de atividades gratuitas, como mesas-redondas, palestras, sessões de autógrafos e lançamentos de livros. 

 Maiores informações em http://www.livrosempauta.com/p/programacao.html

2 de jan. de 2013

Malditos!



Malditos!

Bilhetes escritos.
Encontro entre as folhas
Do meu caderno perdido.

Pensei já ter deles esquecido.
Mas remetem ao passado que
Um dia foi colorido!

Malditos!

Fazem-me lembrar
Que meus lábios
Um dia você quis tocar.

Tanto carinho!  
Um dia já foi tão bonito,
Hoje encontram-se ardidos!

Malditos!

Um dia
Amizade verdadeira.
Que tornou-se poeira.

Confidencias, carência.
Amor proibido!

Maldito!

Márcia Alcântara
Escrito primeiro 2013

18 de dez. de 2012

A Feliz Família




Na minha família somos todos felizes. Todos se entendem perfeitamente,  e se acontece algum tipo de desentendimento, logo nos reunimos e esclarecemos todas as coisas com respeito e os maus entendidos são imediatamente eliminados.

Aqui, dividimos alegrias e tristezas. Quando percebemos que um de nós está triste, logo tratamos de fazer alguma palhaçada, ou algum tipo de brincadeira para que o outro de risada. Além disso, conversamos sobre as aflições que sente e tentamos solucionar, sempre, todos juntos.

Somos unidos. Tão unidos que quando um sonha com o outro já é motivo de ligar e saber se esta tudo bem. Temos pressentimentos uns com os outros.

Importamos-nos uns com os outros. Para isso estamos sempre de prontidão, quando precisamos estamos todos antenados e nos ajudamos. O que queremos em troca: um abraço. É do feitio humano esperar algo em troca. Aristóteles já falava sobre isso antigamente.
Ah abraços. Sempre nos reunimos sábado à noite para ficarmos ainda mais alegres, comer pizza e nos abraçarmos mutuamente. Adoramos abraços coletivos.

Falamos mal uns dos outros. Principalmente quando estamos chateados com o mundo lá fora. Mas logo vemos que estamos errados e perdoamos, afinal ninguém é perfeito, os pensamentos maus também invade nossos seres.

Ficamos emburrados e não queremos papo. Mas depois logo percebemos que tudo o que temos é uns aos outros, e que os outros lá fora nem sabem de nossa existência.

Não fazemos pouco caso do sucesso, ao contrario, ficamos felizes por um de nós ter conseguido um feito extraordinário. Seja ele de qualquer tipo. Um eletrônico que muito desejou,  uma camisa nova, uma boa noticia, uma promoção no emprego, um novo tipo de estudo, uma virgula empregada com sucesso em algum lugar... se um adquiriu sucesso, é porque todos estávamos reunidos.

Nos ajudamos mutuamente, em tudo, na limpeza do dia a dia, na organização da vida num todo. E se um deixa de ajudar, sentamos todos juntos e vemos qual o problema, porque se um de nós se mostra ausente, é por que algum problema tem.

Conversamos todos os dias e perguntamos uns dos outros, muitas vezes,  no trabalho, um não pode atender o celular, o outro não pode ver  emails particulares, o celular esta sempre fora de área e sem sinal onde fica,  mas tentamos sempre nos comunicar, mas é fato que sempre sabemos uns dos outros.

Nos corrigimos. Mas entendemos que é tal correção é para o crescimento uns dos outros, nunca corrigimos  a fim de mostrarmos o quanto sabemos mais. Nenhum de nós sabe mais que o outro, todos nós sabemos muito por que trocamos conhecimentos.

Não jogamos as tais ‘indiretas’. Mesmo por que  conversamos sobre tudo e percebemos que estamos errados, sem gritaria e sem ofensas, sempre. Acreditamos que a vida é muito curta para isso, e precisamos sempre saber os motivos da infelicidade, para que juntos possamos vencê-la.  

Temos varias maneiras de agir, assim como os dedos da mão não são iguais. Mas entendemos e nos respeitamos mesmo assim.

Mentimos! Sabemos que é errado, mas vemos como uma forma de proteger quem amamos, nunca mentimos por beneficio próprio.

Não trocamos presentes e carinhos somente em datas especiais, trocamos carinhos e lembranças durante todo o tempo. Lembrando que ‘lembranças’ é algo que nos afeta seja lá qual for o momento da vida.

Enfim, somos todos muito felizes e unidos.
Que todos possamos pensar nisso durante todo o ano de 2013 e todos os outros que se estiverem por vir, e não apenas nas épocas festivas.

Quase verão 2012

15 de dez. de 2012

Mulheres Fascinantes

É hoje! Mais uma participação minha, como co-autora, de mais uma antologia. Ao longo deste ano fiquei muito feliz com as minhas particpações em antologias como co-autora. Foi um aprendizado inefável, e que muito persegui. De certa forma eu sempre acreditei, que um dia,  isso iria acontecer comigo, e foi, neste ano de 2012, que este capítulo da minha vida, começou a ser escrito. Desde o primeiro lançamento na 22ª Bienal Interancional do Livro de São Paulo, não parei. Esta já é a minha décima paticipação em antologias deste ano, com mais três programadas para o ano que vem, sendo que uma delas o lançamento será no Chile. O que me importa, na verdade, não são os números, a quantidade, mas sim viver em uma realidade da qual eu muito desejei. Ser autor, sempre me foi um sonho. E ser autor é aprender e apreender sempre! 'Eu sei que nada sei', não é mesmo querido Sócrates? Também não sei se estou feliz, sei que alguma acontece dentro de mim. E é sempre preciso escapar do que acontece dentro de mim, por isso, quando escrevo escapo de mim, conheço novas possibilidades, novas realidades, e sei que infinitas elas são!
 

2 de nov. de 2012

Estava



Estava sempre aqui.
Partiu.
Sem mais nem menos
Nunca mais me sorriu.

Estava perto.
Agora, longe.
Sem mais nem menos
Seguiu distante.

Não me importei.
Sempre notei
Que não era
O que pensei.

Se pensei errado,
Quando voltar,
Terá de volta
Meu abraço apertado.

Márcia Alcântara
Primavera 2012