12 de jan. de 2011

Existe

Existe poesia, pode acreditar!
Entre o céu e a terra,
Entre o céu e o mar.

Existe muita alegria pode imaginar?
Acho que não! Ou melhor, sei lá
Mesmo assim procure em cada olhar.

Existe muita paixão, perceba a intensidade.
Me tome em seus braços,
Vamos viver com ingenuidade?

Amar... Me sinto apaixonada!
Vivendo agora...
Vivendo num mundo, deslumbrada!

O tempo, ah o tempo.
Parece ser alado...
Nada como curtir o momento.

Se você, em mim não acreditar,
Não tem problema algum...
Em qualquer momento você mesmo vai comprovar.

Por hora, sinta apenas minha caricia
E a minha boca a te beijar!

Márcia Alcântara
Verão quente e úmido de 2011.

21 de dez. de 2010

Encontro


A Lua brilhava
E as estrelas,
Em sua companhia
Estavam...

Iluminava todo o céu
A Terra admirava-se
Ao ver nitidamente
Um véu...

A Lua falava, mas a Terra
Não compreendia.
Era noite quase dia.

Que este véu era
Era na verdade
Sua própria magia...

Márcia Alcântara
Fim de primavera quando a Terra encontrou-se com a Lua plena.

29 de nov. de 2010

Esperamos um milagre...

Esperamos ansiosos por um acontecimento improvavél, um milagre é o que precisamos. Nada de religioso ou mistico, afinal o homem é sempre condicionado aos seus laços mundanos e esquecem dos conceitos que giram em torno de sua vida, e quando se lembram, concedem a eles outro significado, outra utilidade. Nas palavras de Hannah Arendt: "independente do que façam, são sempre seres condicionados". Foram encontrando seres e mais seres, que traziam consigo diferenças e mais diferenças. A arrogância então tomou conta de todos, onde sempre havia um que se apresentava superior aos outros. Isso é claro e nítido dentro das religiões, nas empresas, nos laços de amizade...
Muito antes tudo era vida, alegria e sentimento, poesia, e o homem com o passar do tempo deixou para trás tudo o que podia fazer-lhe crescer, fazer de si um ser apaixonado, num sentido de igualdade com todos os outros, e tendo para si um mundo igualitário, mas:

"os homens pela sua corrupta natureza, tiranizados pelo amor próprio,
pelo qual seguem senão principalmente a própria utilidade, querem o que é
útil para si e nada ao companheiro, não sendo capazes de pôr em contato as
paixões, a fim de endereçá-las à justiça. Portanto, estabelecemos: que o
homem no estado bestial ama somente a própria salvação [...] o homem em
todas essas circunstâncias, ama principalmente a própria utilidade." Giambatista Vico


De fato nós deveríamos pensar nesta utilidade toda, uma vez que possuindo ciência do andar mundano, continuamos em nossas couraças, amando apenas a nós mesmos e enxergando o próximo como objetos a serem colecionados. O egoismo tornou-se o nosso maior bem.
Emoções á parte, a vida deixa de ser o que é, esperamos o milagre do reconhecimento. O reconhecimento do próximo para com o próximo, da vida como poesia e do sentir, como sentimento...

Márcia Alcântara
Primavera de 2010

6 de nov. de 2010

E de tantas possibilidades...

Gostaria muito de poder dizer o que sinto agora. Mas não, não é possível. Diante de um mundo preconceituoso, cheio de regras, todas por serem cumpridas, pois mesmo que existam, existem apenas nos conceitos e nunca, nunca praticadas, não há mais espaços para dizer o sentir.

O mundo é assim, sentimentos por serem ditos, e regras por serem cumpridas. O outro tornou-se mero objeto. O gostar, o amar não é como dizem seus conceitos. Aliás, não entendo para que tantos conceitos uma vez que são ignorados.

A fala suave, romântica e poética não é permitida e se realizada, ignorada. Mas a grosseria e a falta de consideração são permitidas e realizadas em larga escala. O homem, com letra minúscula mesmo, pois este não merece a maioridade, comportasse como um ser que anda visando apenas a si mesmo, é capaz de matar e atropelar toda e qualquer coisa que esteja “atrapalhando” seu “subir” na vida. Subir na própria “vida”. Perdeu a noção de tudo o que lhe poderia dar prazer. Perdeu a noção do viver.

O que mais me espanta ainda diante dessas atrocidades, pois para mim esta maneira de vida é desumana, é que o sofrimento vem do lado contrário. Pois é no sujeito de virtude que tudo isso surte efeitos desastrosos. Mas também é o ser de virtude que alcança seus sonhos, é o ser de virtude que faz de sua vida iluminada e nunca mais um degrau a subir. É o ser de virtude que fica em evidência, sendo alvo apenas de olhares avermelhados de raiva por seus próprios ‘amigos’. É o ser de virtude que consegue expressar seus pensamentos, enquanto que os outros ficam apenas espelhados nas promessas, tentando cumprir estas visando suas vidas. O ser de virtude encontra-se sempre só, pois não enxerga o interesse, enquanto que o ser, que ainda não consegui dar a ele um nome, vive rodeado de amigos. Claro que o ser de virtude possui ego, este também o faz bem, mas o ego do ser que almeja sempre a si mesmo transborda ainda mais, fazendo o afogar em seus próprios sucessos e insucessos.

Afogados em suas próprias vidas sem criatividade, pois fazem degraus de seus próprios amigos, surtam e sentem-se tristes quando conseguem o que quer, afinal, outro desejo vem a tona quando um é realizado. Isso acontece também no ser que não faz de sua vida uma escada, mas para o outro, a vitória é sem sabor, pois quem deveria os aplaudir foram deixados para trás quando eram apenas degraus. E que provavelmente não estarão apostos para apoiar na descida, e por isso que quem sobe não desce, pois até para descer é necessário a escora.

Márcia Alcântara
Primavera de 2010

3 de out. de 2010

Infinito Particular

A existência... parece
Assim tão frágil!
Tão pequena e sensível...
Sempre variando... Complexa...
E eu...

Vou assim e assim não vou!

Minha vida, tão curta...
Muitos caminhos existem e
Poucos eu sigo!

Sou assim e assim não sou!

Tempo! Meu problema, inimigo,
Amigo, sem sentido!
Na treva eu vejo.
Deixo de ver no clarão!
Na claridade, fico cega!

Sou assim e assim, não, não sou!

Polida! Na dureza da vida!
Na raiva da existência...
Sou e deixo de ser.
Caio e me levanto!
Sou forte, madura, imatura!
Leve e segura!

Mas...

Não me siga... meu caminho
É longo... tão curto!
Não me conheças. Sou serena...
Me deixe... não sei onde ir.
Não me perca e não me encontre,
Sou complexa, assim como ela.
Quero ir, enquanto fico... apenas, sinto!
Sinto um infinito, meu infinito...
É particular...

Sou assim e também não sou!

Márcia Alcântara
Primavera de 2010, palavras com sentido único... particular.

1 de out. de 2010

Escrito solto

Acordei na euforia de observar o Sol e sentir o seu calor, mas ele não apareceu, o calor sim, mas o sol não. Assim na euforia de tudo ver e tudo ter, percebi que nada é assim. A euforia esta em mim e eu a criei, não adianta nada culpar fatores externos a mim por isso. Tudo é criação minha e do meu sentir. Até mesmo o sonho que tive esta madrugada...

Todas as palavras querem dizer aquilo que esta interno em mim. Se coloco para fora é por que estão atrapalhando o andamento de novos sentires, o trânsito lá dentro se torna um tanto quanto complicado.

É engraçado ou estranho as pessoas torcerem seu bicos quando o outro resolve falar ou escrever... pessoas estas que estão, por dentro, um tanto quanto recheada de conceitos (recheio esse meio indigesto) dos quais enfiaram nelas goela a baixo, e pela simples falta de amor próprio a si mesmo, se deixaram influenciar pelo que dizem que é. Não, não é! Não me poergunte o que é, descubra!

Mas não sou eu quem vá abrir vossos olhos, quem pode fazer isso é apenas vocês mesmos! Nem o tempo e nem Deus pode fazer esta cura! Risos...

Márcia Alcântara
Entendendo um pouco minha relação para com o mundo e sua totalidade em plena primavera de 2010 - nunca é tarde, o tempo está em mim e ele é apenas para mim.

14 de set. de 2010

Política...onde e cadê?

Aristóteles já dizia “o homem é um animal político”, claro e nítido que o homem é político sim e nos dias de hoje, pois é nele que me enquadro, sem dúvidas essa frase se faz atual.

O fato que me preocupa é se será que a tal política e o fato de ser político é um ato ou algo do bem. Hoje mais que nunca, é o que parece, que a dificuldade em dizer uma ou todas as coisas se banha de desonestidade e deslealdade. A falsidade e a luta por simples e puro poder, parece morar nas almas humanas e racionais. Conseguir tudo e todas as coisas para beneficio próprio é o que há de mais moderno na política atual.

Sinto muito se alguém discordar, verdade ou não, há ainda o direito de expressão. E a política segue os passos da ética, que para cada canto muda de conceito e suas formas...

Os conceitos das coisas não são mais universais, para cada hora ou situação há conceitos diferentes e que são cobrados de formas diferentes. Se antes política era lago em que todos participavam e tinha voz, se era algo onde com ela se conseguia a organização, hoje é necessário em caráter urgentíssimo rever os conceitos, pois ela causa a discórdia, brigas e desavenças, mentiras, mortes...

Até o momento e se o conceito não mudou, a bagunça formada pelo que antes era responsável pela organização esta instaurada. E o homem político de hoje se destaca pela sua incapacidade de ver o próximo, enxergando apenas seu próprio umbigo...

Márcia Alcântara
Inverno de 2010