29 de nov. de 2010

Esperamos um milagre...

Esperamos ansiosos por um acontecimento improvavél, um milagre é o que precisamos. Nada de religioso ou mistico, afinal o homem é sempre condicionado aos seus laços mundanos e esquecem dos conceitos que giram em torno de sua vida, e quando se lembram, concedem a eles outro significado, outra utilidade. Nas palavras de Hannah Arendt: "independente do que façam, são sempre seres condicionados". Foram encontrando seres e mais seres, que traziam consigo diferenças e mais diferenças. A arrogância então tomou conta de todos, onde sempre havia um que se apresentava superior aos outros. Isso é claro e nítido dentro das religiões, nas empresas, nos laços de amizade...
Muito antes tudo era vida, alegria e sentimento, poesia, e o homem com o passar do tempo deixou para trás tudo o que podia fazer-lhe crescer, fazer de si um ser apaixonado, num sentido de igualdade com todos os outros, e tendo para si um mundo igualitário, mas:

"os homens pela sua corrupta natureza, tiranizados pelo amor próprio,
pelo qual seguem senão principalmente a própria utilidade, querem o que é
útil para si e nada ao companheiro, não sendo capazes de pôr em contato as
paixões, a fim de endereçá-las à justiça. Portanto, estabelecemos: que o
homem no estado bestial ama somente a própria salvação [...] o homem em
todas essas circunstâncias, ama principalmente a própria utilidade." Giambatista Vico


De fato nós deveríamos pensar nesta utilidade toda, uma vez que possuindo ciência do andar mundano, continuamos em nossas couraças, amando apenas a nós mesmos e enxergando o próximo como objetos a serem colecionados. O egoismo tornou-se o nosso maior bem.
Emoções á parte, a vida deixa de ser o que é, esperamos o milagre do reconhecimento. O reconhecimento do próximo para com o próximo, da vida como poesia e do sentir, como sentimento...

Márcia Alcântara
Primavera de 2010

6 de nov. de 2010

E de tantas possibilidades...

Gostaria muito de poder dizer o que sinto agora. Mas não, não é possível. Diante de um mundo preconceituoso, cheio de regras, todas por serem cumpridas, pois mesmo que existam, existem apenas nos conceitos e nunca, nunca praticadas, não há mais espaços para dizer o sentir.

O mundo é assim, sentimentos por serem ditos, e regras por serem cumpridas. O outro tornou-se mero objeto. O gostar, o amar não é como dizem seus conceitos. Aliás, não entendo para que tantos conceitos uma vez que são ignorados.

A fala suave, romântica e poética não é permitida e se realizada, ignorada. Mas a grosseria e a falta de consideração são permitidas e realizadas em larga escala. O homem, com letra minúscula mesmo, pois este não merece a maioridade, comportasse como um ser que anda visando apenas a si mesmo, é capaz de matar e atropelar toda e qualquer coisa que esteja “atrapalhando” seu “subir” na vida. Subir na própria “vida”. Perdeu a noção de tudo o que lhe poderia dar prazer. Perdeu a noção do viver.

O que mais me espanta ainda diante dessas atrocidades, pois para mim esta maneira de vida é desumana, é que o sofrimento vem do lado contrário. Pois é no sujeito de virtude que tudo isso surte efeitos desastrosos. Mas também é o ser de virtude que alcança seus sonhos, é o ser de virtude que faz de sua vida iluminada e nunca mais um degrau a subir. É o ser de virtude que fica em evidência, sendo alvo apenas de olhares avermelhados de raiva por seus próprios ‘amigos’. É o ser de virtude que consegue expressar seus pensamentos, enquanto que os outros ficam apenas espelhados nas promessas, tentando cumprir estas visando suas vidas. O ser de virtude encontra-se sempre só, pois não enxerga o interesse, enquanto que o ser, que ainda não consegui dar a ele um nome, vive rodeado de amigos. Claro que o ser de virtude possui ego, este também o faz bem, mas o ego do ser que almeja sempre a si mesmo transborda ainda mais, fazendo o afogar em seus próprios sucessos e insucessos.

Afogados em suas próprias vidas sem criatividade, pois fazem degraus de seus próprios amigos, surtam e sentem-se tristes quando conseguem o que quer, afinal, outro desejo vem a tona quando um é realizado. Isso acontece também no ser que não faz de sua vida uma escada, mas para o outro, a vitória é sem sabor, pois quem deveria os aplaudir foram deixados para trás quando eram apenas degraus. E que provavelmente não estarão apostos para apoiar na descida, e por isso que quem sobe não desce, pois até para descer é necessário a escora.

Márcia Alcântara
Primavera de 2010

3 de out. de 2010

Infinito Particular

A existência... parece
Assim tão frágil!
Tão pequena e sensível...
Sempre variando... Complexa...
E eu...

Vou assim e assim não vou!

Minha vida, tão curta...
Muitos caminhos existem e
Poucos eu sigo!

Sou assim e assim não sou!

Tempo! Meu problema, inimigo,
Amigo, sem sentido!
Na treva eu vejo.
Deixo de ver no clarão!
Na claridade, fico cega!

Sou assim e assim, não, não sou!

Polida! Na dureza da vida!
Na raiva da existência...
Sou e deixo de ser.
Caio e me levanto!
Sou forte, madura, imatura!
Leve e segura!

Mas...

Não me siga... meu caminho
É longo... tão curto!
Não me conheças. Sou serena...
Me deixe... não sei onde ir.
Não me perca e não me encontre,
Sou complexa, assim como ela.
Quero ir, enquanto fico... apenas, sinto!
Sinto um infinito, meu infinito...
É particular...

Sou assim e também não sou!

Márcia Alcântara
Primavera de 2010, palavras com sentido único... particular.

1 de out. de 2010

Escrito solto

Acordei na euforia de observar o Sol e sentir o seu calor, mas ele não apareceu, o calor sim, mas o sol não. Assim na euforia de tudo ver e tudo ter, percebi que nada é assim. A euforia esta em mim e eu a criei, não adianta nada culpar fatores externos a mim por isso. Tudo é criação minha e do meu sentir. Até mesmo o sonho que tive esta madrugada...

Todas as palavras querem dizer aquilo que esta interno em mim. Se coloco para fora é por que estão atrapalhando o andamento de novos sentires, o trânsito lá dentro se torna um tanto quanto complicado.

É engraçado ou estranho as pessoas torcerem seu bicos quando o outro resolve falar ou escrever... pessoas estas que estão, por dentro, um tanto quanto recheada de conceitos (recheio esse meio indigesto) dos quais enfiaram nelas goela a baixo, e pela simples falta de amor próprio a si mesmo, se deixaram influenciar pelo que dizem que é. Não, não é! Não me poergunte o que é, descubra!

Mas não sou eu quem vá abrir vossos olhos, quem pode fazer isso é apenas vocês mesmos! Nem o tempo e nem Deus pode fazer esta cura! Risos...

Márcia Alcântara
Entendendo um pouco minha relação para com o mundo e sua totalidade em plena primavera de 2010 - nunca é tarde, o tempo está em mim e ele é apenas para mim.

14 de set. de 2010

Política...onde e cadê?

Aristóteles já dizia “o homem é um animal político”, claro e nítido que o homem é político sim e nos dias de hoje, pois é nele que me enquadro, sem dúvidas essa frase se faz atual.

O fato que me preocupa é se será que a tal política e o fato de ser político é um ato ou algo do bem. Hoje mais que nunca, é o que parece, que a dificuldade em dizer uma ou todas as coisas se banha de desonestidade e deslealdade. A falsidade e a luta por simples e puro poder, parece morar nas almas humanas e racionais. Conseguir tudo e todas as coisas para beneficio próprio é o que há de mais moderno na política atual.

Sinto muito se alguém discordar, verdade ou não, há ainda o direito de expressão. E a política segue os passos da ética, que para cada canto muda de conceito e suas formas...

Os conceitos das coisas não são mais universais, para cada hora ou situação há conceitos diferentes e que são cobrados de formas diferentes. Se antes política era lago em que todos participavam e tinha voz, se era algo onde com ela se conseguia a organização, hoje é necessário em caráter urgentíssimo rever os conceitos, pois ela causa a discórdia, brigas e desavenças, mentiras, mortes...

Até o momento e se o conceito não mudou, a bagunça formada pelo que antes era responsável pela organização esta instaurada. E o homem político de hoje se destaca pela sua incapacidade de ver o próximo, enxergando apenas seu próprio umbigo...

Márcia Alcântara
Inverno de 2010

8 de set. de 2010

Não necessita título, cabe ficar no mistério!

Fico imaginando, ás vezes, quando vejo o Sol e a Lua, sobre os mitos e as “coisas” do presente. Parecia que antes era tudo mais perigoso, mas repleto de emoção, de contentamento e felicidade. Antes parece que tudo era mais recíproco que hoje.

Sinto, quando leio os mitos e os manuais de magia antiga, que antes era tudo mais belo. Havia sintonia entre realidade e vontade... Sintonia entre o próximo e respeito mutuo entre tudo e todas as coisas. Antes havia mais alegria, os sentires eram mais aguçados, nada era colocado em xeque, mate, menos ainda.

A beleza do céu era admirada... as estrelas contadas uma a uma. Hoje não se pode mais contar as estrelas. É, não pode, pois na ponta do dedo pode nascer uma berruga. E nesse mundo, vivido agora, não se pode ser diferente. Todos devem ser iguais, cópias perfeitas umas das outras.
Contrariedade ou não, reciprocidade não existe, respeito ao próximo, menos ainda. Nada de sentires, hoje tudo isso é muito brega. O simples fato de olhar para céu pode te render apelidos, ficar conhecido como desatento, e quem sabe lhe renda algo do tipo “sem personalidade”, ou quem sabe ainda, esse ai “ não sabe o que quer”.

Vontade e sintonia não combinam mais. Os seres querem agora e não sabem esperar. Passam por cima do que lhe atrapalham, sejam vidas humanas ou vidas animais, ou ainda até mesmo a natureza que nem se defender sabe e responsável pelo sustento do mundo!

Os mitos e magia antiga foram copiados de forma bem singela, rsrs. Mito e magia agora viraram religião, claro que outros nomes. Agora tudo é muito perigoso e sem emoção. Procura-se a religião quando se esta descontente, sem alegria... Fico, ás vezes, imaginando tudo isso e não posso gritar aos sete ventos, pois a inquisição esta ai, disfarçada, não é mais cicuta, forca, calabouço ou fogueira, mas sim a ignorância e apatia dos que dizem estar com você e ao seu lado sempre. Quer morte, castigo ou punição maior?

Márcia Alcântara
Inverno de 2010

1 de set. de 2010

Estranheza

É um pouco estranho como segue o ato de filosofar. Não vejo novas filosofias, e não vejo a inauguração dela onde não possui filosofia. Também é bem nítido que mesmo onde parece ter filosofia, não tem.

Filosofar parece agora ser um ato insano, mas o ato de reproduzir ditos, e o famoso copia e cola, quantidade e não qualidade parece estar bem vistos pela sociedade filosófica. É claro que haverá muitas controvérsias quando este escrito chegar, seja hoje, seja amanhã, ou quem sabe ainda, nunca.

Afinal ditos filosóficos puros e virgens, não, não são bem vindos!
Márcia alcântara
Inverno seco de 2010