17 de mai. de 2010

Palavras soltas...

Nunca tente entender uma poesia,
apenas sinta!
Há fatos que não devem ser entendidos.
Mas sim, sentidos...
E para tudo há o momento certo,
ou não!

Márcia Alcântara
Outono 2010.

Meditando...

Precisava quietar-me.
Resolvi meditar!
Coloquei uma música suave,
Acendi um incenso, uma vela...
Almofadas coloridas pelo chão.
Um plano de fundo branco
No meu pensamento.

Tudo corria bem!

Mas os pensamentos
Resolveram se rebelar!
De branco foi a vermelho!
De vermelho ao verde, azul...

Descontrole de pensamentos
Num corpo ainda quieto!

Mesmo no descontrole
Ainda ouvia o tom suave
Da música que tocava
Deixando o ar lilás, leve.
Mesmo que o pensamento não
Aquietava-se eu me sentia.

Tudo corria bem,
Mesmo com o descontrole do
Pensamento.

Mas, quando menos esperava,
A chama da vela apagou-se.
O incenso já havia se esvaído!
A música já não mais tocava.
As almofadas, coloridas,
Eram agora preto e branco.
E eu me via, meditando
e já não mais me sentia...

Tudo corria bem,
Mas, agora, os pensamentos
Eram facilmente controlados...

Talvez agora eu estivesse
Começando uma nova vida...

Num corpo ainda quieto,
Com o controle total do pensar!

Márcia Alcântara
Manhã outonizada, 2010

12 de mai. de 2010

Poesia da poesia

A poesia é mesmo
Algo poético.
Porém, nem sempre.
Pois as palavras que a compõem
São por vezes esquecidas...

Suas rimas ao longo
Do tempo, e que tempo!
Foram deixadas no horizonte,
Horizonte esse bem
Longínquo!

Mas uma coisa é certa:
O esforço que se fez
Para um dia entender
A poesia que se leu,
Com prazer
Nunca nem jamais foi esquecida...

Mesmo por que não é
Entendível!
Ela é
Sensível!

A poesia é Fantasia!
Abstratamente sensível!!!
Pensamento se confunde
Quando com a poesia se choca!
E chocado, admirado...
Vivo!

Na objetividade de um dito
Sem sentido, atinge em
Cheio meu ser, subjetivo!

Na poesia da poesia
Meu ser paira,
Paira num ar colorido
Condenado ao descolorir
em uma vida poetica que
nunca será descolorida....

Márcia Alcântara
Manhã de ventania, outono 2010.

5 de mai. de 2010

XIV Semana de Filosofia





PROF. DR. MARCOS ANTÔNIO LORIERI
Filosofia e formação no ensino superior
10 DE MAIO - das 19h30 às 23h

PROF. DR. ANTONIO JOAQUIM SEVERINO
A filosofia na Universidade: tornando humana a formação profissional
11 DE MAIO - das 19h30 às 23h

PROF. DR. SAMUEL MENDONÇA
Perspectivismo, conhecimento e o homem
12 DE MAIO - das 19h30 às 23h

PROF. MS. LUÍS FERNANDO WEFFORT
O Espírito e a Letra: uma breve reflexão sobre nossa formação universitária
13 DE MAIO - das 19h30 às 23h

PROF. DR. ELYDIO DOS SANTOS NETO
A Antropologia Filosófica e os problemas da contemporaneidade: desafios para a universidade
14 DE MAIO - das 19h30 às 23h


As inscrições para a comunidade externa deverão ser realizadas por meio do site do Curso de Filosofia: www.metodista.br/filosofia .
Obs. Os alunos do Curso de Filosofia estão inscritos automaticamente.
Evento Gratuito a ser realizado na Universidade Metodista de São Paulo - 10 á 14 maio de 2010
Campus Rudge Ramos - Auditório Iota.
Informações: filosofia@metodista.br ou pelo tel: 11 - 4366-5891

4 de mai. de 2010

Pelas Emoções...


Estou sendo guiada!
E agora escrevo aqui
Afetada, emocionada...
Apaixonada!

Agora pouco imaginava eu
Que a razão deveria me controlar
Me guiar sempre!

Mas os fatos arrebatadores
Eu não consigo
Controlar!

É culpa, pura e completa da emoção!
Me faz perder a razão que procuro...
Faz com que escape da realidade
Com muita facilidade!

A paixão simplesmente
Se apossa de mim, da minha mente,
Do meu corpo!

Fatos arrebatadores...
Eu não consigo controlar!

E vivo sempre assim
Alternando entre a sanidade
E a loucura...

É como uma epidemia interna
Em frações de tempo
A emoção me domina!
É como cura que a razão
Aparece!

Mas vivo adoecida!
Doença crônica, que enfraquece-me...
Não tem vacina ou alivio...

A emoção me contamina, sempre!
A razão me cura, quase sempre!

Das emoções arrebatadoras...
Eu não consigo me controlar!


Márcia Alcântara

Manhã arrebatadora de outono 2010

27 de abr. de 2010

Silêncio...


É por ele que vivo a procurar.
Nunca imaginei que essa busca
Fosse tão complexa.
O nada me convida.
E as cores se aproximam.
Com elas as palavras,
Palavras não são necessárias!

Es-que-cí-ve-isss!
Característica principal
Das letras que se formam com o som!
Silêncio! É isso que procuro.
No quarto, na praia!
No ar, em qualquer lugar!

Nem mesmo imóvel
Consegui encontrar!
Silêncio! É por ti que vivo!
E assim, silencio...

Mas...passa o tempo
E o tempo passa...

Não encontro alegria nas cores!
Não encontro alegria no som!
Não encontro alegria no tatear!
Somente o silêncio pode
Me consolar!

Ah! Como silenciar?
Queria poder tocar-te!
Queria poder Amar-te!
Queria sentir seu sabor!
Ah! Como posso encontrar-te!

De tudo me esqueci!
Das palavras que ouvi
Dos sentires que senti,
Das promessas... Palavras!
Palavras são palavras
Completamente in-di-zí-ve-isss!
Facilmente esquecíveis!

Silêncio!
Oh Silêncio! É por ti
É só por ti, que vivo
Que vivo a procurar!

Márcia Alcântara
No Silêncio de uma manhã de Outono 2010

25 de abr. de 2010

Estado de Natureza

Um Pensamento externado e talvez Filosófico...

Para Um o Homem livre vivia em perfeita harmonia com o ambiente e todos que dele desfrutavam. Não havia disputa e tudo era de todos e nada era de ninguém. Enquanto que para o Outro, havia apenas disputas, desfrutavam do que julgavam ser de ninguém mas, que não houvesse outro no mesmo lugar, pois violento, assim como sua natureza, destruía qualquer coisa que ameaçasse o seu pedaço de fruta e a sua gota de água de coco. Eu julgo me encontrar em um estado de natureza onde é melhor não saber nada. Tudo o que aprendo e apreendo se torna um risco, inclusive a convivência com aqueles que dizem estar ao meu lado.

Para Um o governo aparece como forma de controlar tudo e todos, uma vez que se tornaram posseiros do que nem mesmo seu era. Para o Outro, o governo veio colocar a ordem antes que a matança fosse pior e acabasse de vez com as criaturas da terra. Para Um, harmonia era a vida de antes, mas a maldita posse sobre todas as coisas acabou com a vida harmônica e a simples sombra de uma árvore agora fica em um espaço que não é mais de todos, mas de apenas um. Para o Outro apenas a ordem sobre todas as coisas dos outros é que vale, claro que com permissão de Outro. O Governo veio e colocou harmonia onde antes tudo, mas tudo era violento. Para Mim, nada mais possui graça, se é que antes eu entendia como o mundo funcionava. O que vejo hoje é a disputa de todos contra todos mesmo que esses não possuam nada. E não possuem mesmo.

Fingimento, falsidade. Características fundamentais para o estado de natureza de hoje. Antes eu não sei, pois eu não vivia lá. Eu vivo o hoje e o agora e vejo, sinto, percebo, pego no ar a falta de vontade verdadeira de Um para com o Outro. Infelizmente vejo, sinto, percebo, pego no ar a criatividade do Outro contra o Um. Criatividade cruel que almeja apenas uma única coisa, ver a completa destruição do Um.

O Outro alega que esse Um pode lhe tirar todas as chances. Na verdade parece que esse Um é melhor que esse Outro. E a disputa interna está instaurada. Para mim, lutam á toa. Meu estado de natureza vai me proteger enquanto eu andar distraído e longe dessa crueldade inventada. Não disputo nada com ninguém. Eu posso tudo o que me é capaz de conseguir. O que não me for capaz, que fique para que o Um e o Outro lancem suas garras e comam, nem que seja Um ao Outro. Pois, dividir estes não sabem.

Estarei perto, tanto de Um quanto de Outro, mas analisando a mim mesmo. Sendo sempre Eunomundoparacomigomesmo. Mas nem por isso eu deixo de amar o Outro e o Um. Espero que estes se dêem conta antes de comer a única coisa que nos deixa vivo, o Um e o Outro.

Estado de natureza. Uma sentença tão Bela, visão romântica ou não, que quando analisada se torna áspera e infame. Mas revela nas suas poucas letras algo que o Homem traz - alguns escondidos outros mais nítidos - uma vontade cruel de ser o que não se é. E nunca conseguirá ser. E então a Roda da Fortuna gira. Embaixo, agora esta em cima. O corpo morre e vira adubo para o próximo vir a ser. E então um dia vai esquecer de ver a si mesmo, e no Um vai querer ser. Ciclo da vida.

Márcia Alcântara
Outono de 2010