28 de out. de 2008

Busca...

Era manhã. A Lua tinha desaparecido do céu e o Sol já despertava com seus raios quentes quando, como de costume, Cristal se levantou. E, como de costume, pensava: “mais um dia para novas descobertas”. Foi lavar o rosto para o café da manhã. Quando a água tocou seu rosto sentiu algo diferente: desabrochou em si a vontade de perguntar qual a razão de tudo o que há.
E, como num passe de mágica, ouviu uma voz. Primeiramente não conseguia identificar de onde veio, nem se era de homem e mulher, enfim não era possível definir ou visualizar.
A voz dizia ser a água o elemento existente e primordial de tudo que há. A voz dizia para que Cristal prestasse atenção a sua volta, tudo continha água. Até mesmo o sentimento que fez com que despertasse a pergunta tinha o elemento água.
- A terra flutua sobre a água. A água sustenta a vida, faz surgir à natureza, faz aparecer a mais bela flor, a mais alta árvore...
E Cristal sem acreditar no que ouvia indagou:
- Mas como pode ser água...?
E sem nem mesmo terminar a pergunta, a voz a interrompeu:
- Use a criatividade e viaje. Da água viemos, ela é o principio primordial. Ande Cristal, viaje.
Cristal então tentou “viajar”, mas sem sucesso. Pensou que estava dormindo ainda, e resolveu tomar banho para ver se acordava. Quando entrou embaixo da água, sentiu novamente algo diferente. Começou a ver a natureza, escutar o barulho do mar e então começou a “pensar” ou quem sabe “viajar”. Consequentemente, começou a ver coisas estranhas. Via nitidamente um deserto, olhou para os lados e só conseguia ver areia, só conseguia sentir calor, e não tinha ninguém perto de si. Estava completamente só. O calor começou a fazer com que o sentimento de desespero e um cansaço inalcançável tomassem conta de si, onde a solidão dominou seus mais profundos membros.
O calor só aumentava. Não havia vida alguma. A areia do deserto estava muito quente e adiante parecia ser espelhos, pareciam grãos de ouro, brilhavam e brilhavam quentes muito quentes.
Cristal sentia medo, que estava perto do fim. Por fim, pensou: “acordei pensando em novas descobertas e queria saber qual a razão de tudo o que há e, agora aqui estou, desfalecendo sem nem saber como aqui vim parar.”.
Desejava naquele momento ao menos um jarro de água. De repente Cristal se lembrou: “água, sim, esta é a razão primordial.”.
Olhou para um lado e para o outro, nada de vida, nada de natureza, nada de nada. E pensou como sair daquela situação, parecia estar preso. O calor só aumentava e nada de conseguir resolver como sair dali.
Foi quando ouviu um sussurro:
- Criatividade! Emoção! Busque-os dentro de ti. Use-os.
Fraqueza, palidez e o medo exacerbado tomavam conta de Cristal. Não conseguia pensar em nada, não conseguia sequer mais andar. Olhou para o Sol, ele escurecia. Era como se uma sombra fosse na direção do Sol. Parecia ser um eclipse. O calor estava dando uma trégua, mas ainda se sentia tomado pela fraqueza, porém completamente entregue. De repente, a voz, a mesma que tinha lhe colocado naquela situação, sussurrou ao seu ouvido:
- Criatividade!
Tudo ficou escuro, percebeu que a Lua tinha escondido o Sol, como se a Lua tivesse abraçado o Sol. Então resolvera “viajar”, fechando os olhos, deixando que o pensar fizesse sua vontade.

Passaram-se alguns instantes e, quando abriu os olhos, ficou anestesiado, afásico com o que estava vendo, simplesmente estava sentado à mesa da cozinha de sua casa tomando café da manhã, segurando em sua mão um copo de água. Ao olhar pela janela, em meio aos passarinhos cantando, seu olhar “viajou” através das árvores e, no horizonte viu o exato momento em que o Sol ficou completamente coberto pela Lua, e sentiu o exato momento do beijo entre eles.

Marcinha Luna
Manhã de primavera de 2008.

23 de out. de 2008

Lançado no Mundo!

Fui lançado, colocado no mundo.
Faço parte dele e ele de mim.
Não fui consultado, não escolhi o mundo
E parece-me que ele também não me escolheu.
Não encontro ninguém que possa me responder
Para que estou aqui?
O que é que eu faço?
Para que vivo?
Estou admirado, confuso e desordenado
Estou afásico, não sei o que digo,
Nem o que escrevo, não sei se penso,
Mas sei que vivo, sei que nasci,
Sei que cresço e sei que vou também
Um dia deixar de existir
Tenho consciência disso,
Mas não sei se isso é tudo.
Estou admirado de como é o mundo,
Não sei se ele tem consciência e se admira também.
Não consigo perceber se estou preparado para essa aventura
Tenho apenas consciência da minha vida,
Parece que o mais importante do viver
Talvez seja alcançar a tal consciência
Quero descobrir com calma cada coisa
Antes de minha essência desaparecer...


Marcinha Luna
Verão de 2006

21 de out. de 2008

Não Sei!

Não consigo de nada saber
Procuro mas nada encontro.
Existe algo que me bloqueia
O que é?
Não sei.

O calor eu sinto
Vejo a água da chuva
Sendo levada adiante pelo vento
Molhando assim toda a terra.
Como acontece?
Não sei.

Ando perdida
Olho a luz do Sol
E não me encontro
Nada encontro.
Olho a água que corre
No rio
Fixo meu olhar, me vejo,
Mas não me encontro.
Sinto o vento que bate em
Meu rosto, por vezes gélido
Por outras picante
Nada encontro
Sei que a terra me sustenta
Sinto a sólida, sinto os
Pés no chão.
Mas me sinto ainda tremula.
Porque?!
Não sei.

Ando só
Nada me acrescenta mais
Nada me deixa em êxtase
Nada me convence.
Vejo uma nevoa,
Algo esta escuro
na minha frente.
Porque?
Não sei

Procuro
Por algo?
O que?
Não sei.

Marcinha Luna
Manhã de primavera 2008

15 de out. de 2008

Admiração...

A cada dia que passa
Me admiro ainda mais
Com tudo o que passa a frente do meu ser...
Quantas coisas a aprender...
Nossa! Fico impressionada
Entender a todos usando o coração,
Ao mesmo tempo tendo em vista a razão....
Cada pessoa com um modo especial de ser,
De pensar, de agir, de falar e de sentir...
O mundo externo de mim
Entender os fenômenos da terra
Saber sobre o sol, sobre a lua, sobre a chuva...
Volto então para mim
Me olho no espelho, este reflete apenas
O meu ser material, mesmo assim percebo
Que necessito primeiramente entender de mim
“Conhecer a mim mesmo”
Saber compreender “que nada sei”
Talvez seja esta a dificuldade
Ser sábio o suficiente para entender
Que na verdade nada se sabe.
Nossa! Quantas coisas em meu ser
Quanta coisa consiste em apenas viver!!

Marcinha Luna
Noite de outono 2006

30 de set. de 2008

Viver?!

E então, qual a razão de viver?!
Depois de vivido nove longos meses,
Como se tivesse escondido de algo,
Não da mais para adiar,
E se vem a tona mais um ser...
E então crescendo se vai,
Aprende a andar, a balbuciar
Algumas palavras...
Enfim consegue expressar
Todos seus sentires...
Pobre Ser, pensa que a tudo descobriu!
Triste Fica quando percebe que nada Sabe!
Começa a procurar então
Uma razão lógica para tudo o que já aconteceu...
Aprende outros ofícios e que se faz necessário
Trabalhar para a vida ser levada adiante...
Muitos encontram na arte algo que o satisfaz
Encontram nela respostas que o modo de
Comunicação usado não consegue dizer...
Emociona-se, encontra-se em total êxtase,
Por alguns momentos parece ter encontrado
Respostas para o que lhe aflige o coração,
Mas quando descansa, olha para o teto do quarto
E vê e entende que não era essa a razão...
A vida então segue seu fluxo, e o dia-a-dia
Nos leva a esquecer o que procuramos aqui...
Segue-se a vida, descobrindo outras coisas
Entre elas o talento, o amor e muitas outras
Novidades que vão preenchendo um vazio...
Por vezes achamos que encontramos a resposta...
Mas não, ficamos tristes ao perceber que não
Era a resposta e se era não nos deixou satisfeito...
Mas a algo que chamamos de tempo passa e passa...
E não se encontra a resposta, mas esta pergunta
Que fica escondida, por vezes parece nos sensibilizar,
Nos deixa exaustos e a o que chamamos de idade,
Só avança, e muitas vezes, mesmo passando por
Momentos felizes, muitas repostas ficam no ar...
O que chamamos de tempo continua a passar, e
Se descobre que existem nessa vida alem de alegrias
Amor, o Sol, o Céu azul para admirarmos,
Existe também alguns males...Ah! males...
Que nos leva a ficar mais uma vez a se perguntar
Qual será a razão de viver?!
E bate então um aflição, parece que tudo vai ficando
Para traz e para traz...longe e mais longe...
Os olhos se fecham e sentimos que não mais abriram...
O que não se sabia qual era a razão acaba de se esvair,
A vida se vai...mas surge uma nova pergunta aos que aqui ficam:
Que vem a ser a Morte?!
Tal coisa que fecha os olhos de quem amamos
Sem nem perguntar se pode ou não,
Se é tempo ou não...
Ficamos aqui deste lado, pois talvez a morte seja outro,
Com mais uma pergunta, mais uma aflição,
Alem daquela que já tínhamos adquirido como passar
Do que chamamos de tempo
A pergunta que nos acompanhava sempre
Qual a razão de viver?! Fica imóvel ao nascer em nosso
Intimo uma nova pergunta
Qual a razão de morrer?!
Será que é viver?! Viver para morrer?!
Morrer para uma nova vida?!
Nessa viagem atrás de respostas e não
Vemos o que chamamos de tempo passar...
Mas vemos quem amamos ou somente
Admiramos partir...e ficamos aqui repletos de
Indagações e sem nada podermos fazer...

Paz, luz e harmonia!

Marcinha Luna
Inverno de 2006

20 de set. de 2008

Sabia Lua!

Oh! Sábia Lua...Ajude-me a perceber os meus problemas, com mais clareza
Que eu possa reconhecer melhor meu caminho,
Eliminando dele todo o mal...
Limpe dos meus sentimentos as mágoas,
As tristezas, as incertezas, meus medos...
Tire do meu corpo físico,
Todo o cansaço, minhas dores...
Enfim para viver e reconhecer o meu caminho
Peço-lhe Sabedoria!
Que assim seja...
Paz, luz e harmonia!
Marcinha Luna

15 de set. de 2008

...

Queria eu que nada sou
Apenas espero ser
Conhecer as facetas de todos
Conhecer o que há por traz calor
Será somente o sol?
Queria saber onde se esconde cada ser
O que realmente é, se é e como é!
Porque olhamos o mundo e não sabemos
O que na verdade ele é
Parece ser grande, mas
De repente Pequeno como grão de feijão.
E nós? O que somos? Será que somos?
Pequenos ou grandes?
Cada um penso eu, que esconde
Sua verdade, identidade.
Sua bondade, sua maldade.
Mas o que é verdade?
Cadê a identidade de tudo isso?
Nem eu mesmo sei.
Espero que com o tempo descobrirei!
Mas e o tempo? Será que saberei?

Marcinha Luna – final de inverno de 2008