17 de fev. de 2011

Euvocê

Bom ver a Lua adormecer
O Sol acordar
E me ver
Com você!

As horas passar e
Tudo acontecer e eu
Estar com você!

A chuva derrama,
Acaricia a terra
E eu vejo tudo,
Com você...

O vento percorre o céu
O ar refresca, e sinto sua brisa,
Com você...

Percebi que sinto a tudo e
Que a tudo vejo
Por que estou com você!

Você é meu tudo...
E eu sou pra você...
Preciso descobrir onde meu
Eu acaba e começa você!

Márcia Alcântara
Verão de 2011.

14 de fev. de 2011

Sabedoria seca



Oras, a cada dia que passa aprendo com as horas e suas divisões... Não sabia de muita coisa que agora, quando contato tive, desconheci ainda mais.


Agora sei e sinto que só sabemos e podemos entender as coisas, quando estamos em contato com elas. Só podemos falar do que vimos e do que sentimos na pele, e muitas, mesmo vendo e sentindo é complicado dizer. As palavras nada dizem, as palavras nada explicam. Sentir é tudo, observar e vivenciar é o máximo. Como explicar um abraço e um afago, um carinho e uma relação de amor?


Ah não! Isso não é explicável!


É como dizer que uma flor nasce em solo arenoso, em solo seco e debaixo de muito sol, pois ali, onde a vi, toda aguá, qualquer lágrima secará! Mas, sim ela nasce! Eu vi, mas por muitas vezes quando me disseram eu não acreditei. Tentar explicar? Não conseguiram e eu não sei se posso. Quem sabe ela nasça para ver a beleza do luar... quem sabe ela nasça para nos fazer ver as possibilidades da vida... Quem sabe ela exista porque necessita aqui estar, por si só? Quem sabe ela veio para alegrar o que triste está! Quem sabe ela veio para valorizar ou para se valorizar e mostra sua força...

Olhando para a Lua, que no céu crescia e sorria, despontando numa beleza indivisível lá estava, ela, a flor, linda, branca, forte, serena, solitária, harmônica e com ar de felicidade, mesmo só, mesmo seca...


Não sei, sei que ela eu vi e sei que não entendi, tanta beleza numa enxurrada seca...


Márcia Alcântara
Pós-viagem ao sertão, verão de 2011

13 de jan. de 2011

Sentimento não tem título

Palavras?
Estas por vezes deveriam não ser ditas...
Machucam e nos deixam a deriva...
Num mar de letras, num mar de palavras.

A razão em pleno vapor!
Onde o coração não trabalha...
Os olhos não enxergam o luar...
O paladar não é sentido...
A pele não é tocada pelo carinho do sol...
E não se escuta o som dos passarinhos bailando
No perfumado céu lilás!

Quanta vida desperdiçada quando o sentir
É materializado por palavras que jogadas ao vento
E que no tempo alado se vão, mas deixam
Sua marca tatuada na pele...

Palavras, desperdício da vida!

Márcia Alcântara
Longe de mim, com olhos de Rubi, verão de 2011.

12 de jan. de 2011

Existe

Existe poesia, pode acreditar!
Entre o céu e a terra,
Entre o céu e o mar.

Existe muita alegria pode imaginar?
Acho que não! Ou melhor, sei lá
Mesmo assim procure em cada olhar.

Existe muita paixão, perceba a intensidade.
Me tome em seus braços,
Vamos viver com ingenuidade?

Amar... Me sinto apaixonada!
Vivendo agora...
Vivendo num mundo, deslumbrada!

O tempo, ah o tempo.
Parece ser alado...
Nada como curtir o momento.

Se você, em mim não acreditar,
Não tem problema algum...
Em qualquer momento você mesmo vai comprovar.

Por hora, sinta apenas minha caricia
E a minha boca a te beijar!

Márcia Alcântara
Verão quente e úmido de 2011.

21 de dez. de 2010

Encontro


A Lua brilhava
E as estrelas,
Em sua companhia
Estavam...

Iluminava todo o céu
A Terra admirava-se
Ao ver nitidamente
Um véu...

A Lua falava, mas a Terra
Não compreendia.
Era noite quase dia.

Que este véu era
Era na verdade
Sua própria magia...

Márcia Alcântara
Fim de primavera quando a Terra encontrou-se com a Lua plena.

29 de nov. de 2010

Esperamos um milagre...

Esperamos ansiosos por um acontecimento improvavél, um milagre é o que precisamos. Nada de religioso ou mistico, afinal o homem é sempre condicionado aos seus laços mundanos e esquecem dos conceitos que giram em torno de sua vida, e quando se lembram, concedem a eles outro significado, outra utilidade. Nas palavras de Hannah Arendt: "independente do que façam, são sempre seres condicionados". Foram encontrando seres e mais seres, que traziam consigo diferenças e mais diferenças. A arrogância então tomou conta de todos, onde sempre havia um que se apresentava superior aos outros. Isso é claro e nítido dentro das religiões, nas empresas, nos laços de amizade...
Muito antes tudo era vida, alegria e sentimento, poesia, e o homem com o passar do tempo deixou para trás tudo o que podia fazer-lhe crescer, fazer de si um ser apaixonado, num sentido de igualdade com todos os outros, e tendo para si um mundo igualitário, mas:

"os homens pela sua corrupta natureza, tiranizados pelo amor próprio,
pelo qual seguem senão principalmente a própria utilidade, querem o que é
útil para si e nada ao companheiro, não sendo capazes de pôr em contato as
paixões, a fim de endereçá-las à justiça. Portanto, estabelecemos: que o
homem no estado bestial ama somente a própria salvação [...] o homem em
todas essas circunstâncias, ama principalmente a própria utilidade." Giambatista Vico


De fato nós deveríamos pensar nesta utilidade toda, uma vez que possuindo ciência do andar mundano, continuamos em nossas couraças, amando apenas a nós mesmos e enxergando o próximo como objetos a serem colecionados. O egoismo tornou-se o nosso maior bem.
Emoções á parte, a vida deixa de ser o que é, esperamos o milagre do reconhecimento. O reconhecimento do próximo para com o próximo, da vida como poesia e do sentir, como sentimento...

Márcia Alcântara
Primavera de 2010

6 de nov. de 2010

E de tantas possibilidades...

Gostaria muito de poder dizer o que sinto agora. Mas não, não é possível. Diante de um mundo preconceituoso, cheio de regras, todas por serem cumpridas, pois mesmo que existam, existem apenas nos conceitos e nunca, nunca praticadas, não há mais espaços para dizer o sentir.

O mundo é assim, sentimentos por serem ditos, e regras por serem cumpridas. O outro tornou-se mero objeto. O gostar, o amar não é como dizem seus conceitos. Aliás, não entendo para que tantos conceitos uma vez que são ignorados.

A fala suave, romântica e poética não é permitida e se realizada, ignorada. Mas a grosseria e a falta de consideração são permitidas e realizadas em larga escala. O homem, com letra minúscula mesmo, pois este não merece a maioridade, comportasse como um ser que anda visando apenas a si mesmo, é capaz de matar e atropelar toda e qualquer coisa que esteja “atrapalhando” seu “subir” na vida. Subir na própria “vida”. Perdeu a noção de tudo o que lhe poderia dar prazer. Perdeu a noção do viver.

O que mais me espanta ainda diante dessas atrocidades, pois para mim esta maneira de vida é desumana, é que o sofrimento vem do lado contrário. Pois é no sujeito de virtude que tudo isso surte efeitos desastrosos. Mas também é o ser de virtude que alcança seus sonhos, é o ser de virtude que faz de sua vida iluminada e nunca mais um degrau a subir. É o ser de virtude que fica em evidência, sendo alvo apenas de olhares avermelhados de raiva por seus próprios ‘amigos’. É o ser de virtude que consegue expressar seus pensamentos, enquanto que os outros ficam apenas espelhados nas promessas, tentando cumprir estas visando suas vidas. O ser de virtude encontra-se sempre só, pois não enxerga o interesse, enquanto que o ser, que ainda não consegui dar a ele um nome, vive rodeado de amigos. Claro que o ser de virtude possui ego, este também o faz bem, mas o ego do ser que almeja sempre a si mesmo transborda ainda mais, fazendo o afogar em seus próprios sucessos e insucessos.

Afogados em suas próprias vidas sem criatividade, pois fazem degraus de seus próprios amigos, surtam e sentem-se tristes quando conseguem o que quer, afinal, outro desejo vem a tona quando um é realizado. Isso acontece também no ser que não faz de sua vida uma escada, mas para o outro, a vitória é sem sabor, pois quem deveria os aplaudir foram deixados para trás quando eram apenas degraus. E que provavelmente não estarão apostos para apoiar na descida, e por isso que quem sobe não desce, pois até para descer é necessário a escora.

Márcia Alcântara
Primavera de 2010