27 de abr. de 2010

Silêncio...


É por ele que vivo a procurar.
Nunca imaginei que essa busca
Fosse tão complexa.
O nada me convida.
E as cores se aproximam.
Com elas as palavras,
Palavras não são necessárias!

Es-que-cí-ve-isss!
Característica principal
Das letras que se formam com o som!
Silêncio! É isso que procuro.
No quarto, na praia!
No ar, em qualquer lugar!

Nem mesmo imóvel
Consegui encontrar!
Silêncio! É por ti que vivo!
E assim, silencio...

Mas...passa o tempo
E o tempo passa...

Não encontro alegria nas cores!
Não encontro alegria no som!
Não encontro alegria no tatear!
Somente o silêncio pode
Me consolar!

Ah! Como silenciar?
Queria poder tocar-te!
Queria poder Amar-te!
Queria sentir seu sabor!
Ah! Como posso encontrar-te!

De tudo me esqueci!
Das palavras que ouvi
Dos sentires que senti,
Das promessas... Palavras!
Palavras são palavras
Completamente in-di-zí-ve-isss!
Facilmente esquecíveis!

Silêncio!
Oh Silêncio! É por ti
É só por ti, que vivo
Que vivo a procurar!

Márcia Alcântara
No Silêncio de uma manhã de Outono 2010

25 de abr. de 2010

Estado de Natureza

Um Pensamento externado e talvez Filosófico...

Para Um o Homem livre vivia em perfeita harmonia com o ambiente e todos que dele desfrutavam. Não havia disputa e tudo era de todos e nada era de ninguém. Enquanto que para o Outro, havia apenas disputas, desfrutavam do que julgavam ser de ninguém mas, que não houvesse outro no mesmo lugar, pois violento, assim como sua natureza, destruía qualquer coisa que ameaçasse o seu pedaço de fruta e a sua gota de água de coco. Eu julgo me encontrar em um estado de natureza onde é melhor não saber nada. Tudo o que aprendo e apreendo se torna um risco, inclusive a convivência com aqueles que dizem estar ao meu lado.

Para Um o governo aparece como forma de controlar tudo e todos, uma vez que se tornaram posseiros do que nem mesmo seu era. Para o Outro, o governo veio colocar a ordem antes que a matança fosse pior e acabasse de vez com as criaturas da terra. Para Um, harmonia era a vida de antes, mas a maldita posse sobre todas as coisas acabou com a vida harmônica e a simples sombra de uma árvore agora fica em um espaço que não é mais de todos, mas de apenas um. Para o Outro apenas a ordem sobre todas as coisas dos outros é que vale, claro que com permissão de Outro. O Governo veio e colocou harmonia onde antes tudo, mas tudo era violento. Para Mim, nada mais possui graça, se é que antes eu entendia como o mundo funcionava. O que vejo hoje é a disputa de todos contra todos mesmo que esses não possuam nada. E não possuem mesmo.

Fingimento, falsidade. Características fundamentais para o estado de natureza de hoje. Antes eu não sei, pois eu não vivia lá. Eu vivo o hoje e o agora e vejo, sinto, percebo, pego no ar a falta de vontade verdadeira de Um para com o Outro. Infelizmente vejo, sinto, percebo, pego no ar a criatividade do Outro contra o Um. Criatividade cruel que almeja apenas uma única coisa, ver a completa destruição do Um.

O Outro alega que esse Um pode lhe tirar todas as chances. Na verdade parece que esse Um é melhor que esse Outro. E a disputa interna está instaurada. Para mim, lutam á toa. Meu estado de natureza vai me proteger enquanto eu andar distraído e longe dessa crueldade inventada. Não disputo nada com ninguém. Eu posso tudo o que me é capaz de conseguir. O que não me for capaz, que fique para que o Um e o Outro lancem suas garras e comam, nem que seja Um ao Outro. Pois, dividir estes não sabem.

Estarei perto, tanto de Um quanto de Outro, mas analisando a mim mesmo. Sendo sempre Eunomundoparacomigomesmo. Mas nem por isso eu deixo de amar o Outro e o Um. Espero que estes se dêem conta antes de comer a única coisa que nos deixa vivo, o Um e o Outro.

Estado de natureza. Uma sentença tão Bela, visão romântica ou não, que quando analisada se torna áspera e infame. Mas revela nas suas poucas letras algo que o Homem traz - alguns escondidos outros mais nítidos - uma vontade cruel de ser o que não se é. E nunca conseguirá ser. E então a Roda da Fortuna gira. Embaixo, agora esta em cima. O corpo morre e vira adubo para o próximo vir a ser. E então um dia vai esquecer de ver a si mesmo, e no Um vai querer ser. Ciclo da vida.

Márcia Alcântara
Outono de 2010

14 de abr. de 2010

Um olhar a cerca do Automático

Texto filósofico...

Automático!

É assim que se vive em sociedade. Todas as pessoas estão vivendo como se estivessem ligadas no piloto automático da vida.
Esqueceram de como sentimentos são importantes. A disputa talvez tenha se instaurado, e os mais sensíveis, somente agora, dolorosamente se deram conta. Virou algo tão rotineiro! Que pena!

A vida deveria ser tão bonita, repleta de admiração, que infelizmente hoje é confundida com inveja, eu particularmente me espanto com isso. Um abraço, um beijo... nada mais tem sabor para alguns que perderam os sentidos, ou quem sabe nunca os tiveram!

Não perceberam que o corpo sofre muito com todas estas transformações. Filósofos contemporâneos alertam para esse fato: “o corpo é a única via de acesso ao conhecimento” (ONFRAY apud CHARLES, 2006, pág.169).

Tomar conhecimento da disputa não é fácil para ninguém que tem em mente um mundo feliz e usa o corpo e a si próprio para se projetar em busca de uma admiração por toda e qualquer coisa.

Parece-me que a filosofia não surge apenas de simples leituras, a vejo surgindo da admiração constante de um mundo que se mostra atual e automático. Somente os que possuem uma intuição aguçada conseguem compreender a vida e suas paixões. A paixão devora, deixa os intuitivos boquiabertos com as ações de seus iguais. Que vamos e venhamos não são tão iguais assim!

O fato é que por mais que tentemos saber sobre tudo e todas as coisas, menos entendemos, mas isso cabe apenas aos intuitivos, e tempo é um dos fatores menos cabíveis de entendimento, sabemos que ele tem um fim. Sim a morte talvez seria um fim e é automático esse entendimento.

É bom que nos demos conta o quanto antes de nossas faltas. Essa falta que me refiro é a falta de sentir os sentidos. Não usamos da forma correta o nosso corpo: “O mau uso do corpo é uma falta que contém sua sansão em si mesma: não se recupera o tempo perdido” (ONFRAY apud CHARLES, 2006, pág.169). Ignoramos completamente nossos sentidos, se não reconhecemos a nós mesmos, quem dirá ao próximo. E a disputa está instaurada, é automático, uma pena, pois: “toda nossa existência é construída sobre a areia” (ONFRAY apud CHARLES, 2006, pág.169).

Pense nisso!

Márcia Alcântara
Outono de 2010


31 de mar. de 2010

Vida, minha escolta...

Se é assim que a vida me mantém
Assim vou eu!
Eu na frente e ela, a vida
A me empurrar vindo logo atrás.

Eu não escolhi essa situação
Mas nada do que vivo, nem
Mesmo nascer, me foi oportuno
Escolher!


Se é assim que a vida me mantém
Assim vou eu!
Correndo para dar tempo.
Tempo de que? O que é o tempo?

Mesmo sem saber, não me foi oportuno
Aprender sobre o tempo.
Aliás, ele, sem corpo próprio
É que me apreende.

Se é assim que a vida me mantém
Assim vou eu!
Eu na frente e ela a me empurrar
Vindo logo atrás.

Eu não queria essa companhia
Todo o tempo e o tempo todo.
Ela não me deixa adormecer
E fica o tempo todo a me escoltar.

Mesmo sabendo que fazemos
Escolhas,
Não me foi oportuno
Escolher a escolta!

Hoje a vida que vem logo
Atrás a me empurrar é uma
Capanga que parece me odiar.

Mas se é assim que a vida me mantém
Assim vou eu!
Eu na frente e ela logo atrás
Para me empurrar!

Márcia Alcântara
Outono 2010

30 de mar. de 2010

Jogado!

Para Mim mesmo...

Hoje me encontro perdida.
Como o cachorro que corre atrás
Próprio rabo!
Estou eu a procura de mim mesmo.

Me perdi. Estou jogado.

Jogado num mundo desconhecido.
Jogado numa cultura que não é a minha.
Incógnita! Assim sou eu
Quando me olho no espelho
Quando me vejo na menina de seus olhos.

Quem sou eu?
Não tenho mais onde encontrar respostas.
Será que esta há? Estou desreferenciado.
Sei lá!

Jogado. Assim me sinto, assim me encontro!
Na minha vida, na sua vida.
Jogado. Assim estou.
No meu corpo, no seu corpo.

Jogado no mundo.
No seu mundo que é o meu mundo!
Quem somos nós?! Sei lá.
Jogado é assim que estou.

Márcia Alcântara
Outono 2010

Paz, Luz e Harmonia!

Adotei esse lema a mais ou menos sete ou oito décadas. Faz parte de um mantra/música de Tomaz Lima, o Homem de Bem. Coincidentemente também foi a época em que me iniciei na magia.

Achei nestas palavras algo que me fizesse ser um pouco mais feliz. Se talvez eu sentisse todas estas coisas, seria eu melhor.

Mas enfim, nem sempre é assim. Que elas, as palavras tragam paz, luz e harmonia á mim e quem á quiser.

Estou relatando isso por que me foi perguntado o "porque" dessas palvras. E como muitos vivem de "porqueres" ai segue a resposta. É engraçado por que muitos que estão a procura desses "porqueres" muitas vezes não o encontram. rs, será eu um destes seres? engraçado isso.

Márcia Alcântara

Outono cinzento de 2010

25 de mar. de 2010

Filosofando: Referência?!

Estive pensando sobre essa palavra, a tal Referência, e não cheguei a conclusão alguma.

Não precisamos de referência para nada. Somos o que somos e fazemos o que queremos e pronto e acabou. Somos responsáveis por nós mesmos e nossas atitudes. Errada ou não, pagamos nós mesmos por nossos feitos.

Hoje vejo que o mundo anda em crise geral, a crise que me refiro aqui é crise de idéias e de saber o que se é ou o que se quer. A cultura é vista por todos como algo do passado e quase ninguém mais consegue ver a arte como algo Belo, sem interesse. Todo mundo quer encontrar algo e que esse algo sirva de alguma coisa.

Ninguém quer saber mais sobre história e pretende ter sempre tudo pronto, sem se dar conta do por que ou de onde vem, se é que vem!
Assim não precisamos de referência para nada e nem em lugar algum. Somos e pronto. Tudo é e se não é dane-se. Será que é bem assim?

Referência! Talvez precisamos tê-la para enxergar o outro. Nem que como alguns defendam que por interesse próprios sobre todas as coisas, digo todas no sentido muito amplo da palavra (amizade, amor, vida) interesse, tudo, tudo esconde interesse.

Se estamos sempre interessados em algo será que não usamos nossos próximos como referência, num sentido figurado, porém muito real, passar por cima do que nos referenciou?
Enfim somos o que somos por que somos, mas queremos sempre algo a mais num sentido de competição, disputa e para isso se faz necessário uma referência: o Outro. E para nosso viver a história antiga não vale nada? De onde viemos e para onde vamos? São perguntas que parece não incomodar a muitos. Será que estes vivem privados de referência?
Será que queremos ser sempre os melhores para nós mesmos ou para nossa referência?

Termino sem conclusão!
Márcia Alcântara
outono de 2010